Wednesday, July 1, 2009

Noviadades

Desafio para todos os peregrinos!
Para ler e pensar, a Partilha e meditções do Padre Dário para cada Domingo.
Muito bom, o caminho continua com os textos publicados...!
Leiam e meditem

SEGUIA-O NUMEROSA MULTIDÃO

Pedaços de Vida – ano B – nº 35

SEGUIA-O NUMEROSA MULTIDÃO

(Jo 6, 2)

A partir de certa altura da sua vida pública, os evangelistas insistem em colocar grandes multidões a seguir Jesus, seduzidas pelas suas palavras, encantadas e agradecidas pelos seus milagres, desejosas de O ouvir, com ânsia de mais curas, mais milagres. O Rabi de Nazaré atrai, seduz, interpela, dá confiança, realiza prodígios, fala com sabedoria, ensina maravilhas, fala de realidades que as multidões nunca tinham ouvido. Caminham atrás d’Ele, esquecendo-se de si próprios, nem sequer têm de comer. Mais uma oportunidade para Jesus se compadecer e fazer um milagre. Desta vez é uma multiplicação de cinco pães e dois peixes, que vão dar alimento a cerca de cinco mil pessoas. Que maravilha!!! Que prodígio!!! Que qualidade de amor, de dom, de entrega, de preocupação pelos outros!!! É assim o nosso Jesus…

Todos ficaram saciados e davam glória a Deus pelo milagre, pelo prodígio realizado. No fim até o queriam aclamar rei, mas Jesus, discretamente retirou-Se e foi para um lugar solitário. Ele não é um milagreiro que quer atrair as atenções e arrastar pessoas, receber benesses ou elogios. Quem amar, fazer bem, socorrer, alimentar esta multidão faminta. Não quer obrigados, nem elogios. Deseja dar e dar-Se com total generosidade. Importa-Lhe amar e dar-Se sem reservas. Não quer ser aclamado rei, nem que lhe bastam palmas. Não deseja estar na ribalta do palco da vida para receber elogios ou aplausos. Deseja fazer bem, amar sem medida. O resto não conta. Não precisa de aclamações. Tudo faz com os olhos no Pai, com todo o amor pela multidão que precisa d’Ele. Não é como nós que queremos aplausos, elogios e condecorações…

Esta multiplicação, segundo alguns mestres, é símbolo e antecipa o seu dom na Eucaristia. Também no altar, em cada Eucaristia, ao longo dos séculos, em milhões de Missas, o Pão eucarístico é multiplicado sem cessar pelo poder do Espírito. Continua a alimentar multidões famintas de paz, de alegria, de amor, de concórdia, de perdão, de felicidade. Continua a amar essas multidões, que na fé, aceitam que o Pão do Céu é Ele mesmo, o Verbo do Pai feito Homem e, agora, feito alimento espiritual. Aceitam e necessitam de comungar o Senhor que passou pela morte e que agora está Vivo e glorioso. Recebê-Lo, comê-Lo, sentar-se à mesa do banquete sagrado é o maior dom da nossa vida cristã. A Eucaristia é o nosso tesouro, a nossa pérola preciosa. E Ele vai-Se entregando para alimentar as multidões. O Bom Pastor é alimento das suas ovelhas famintas de paz, de graça, de amor. Deixemo-nos alimentar d’Ele, recebamos a sua Vida, aceitemos ser convidados para o Banquete. Jesus, nosso alimento, é Pão do Céu, é manjar celeste, naquela pequena “hóstia santa”, naquele pedaço de Pão sagrado e consagrado pelo Espírito Santo.

Deixar na sua Igreja esta multiplicação divina do Pão do Céu é o sinal mais maravilhoso do seu amor, da sua graça, da sua ternura, do poder divino do seu Coração. Com razão afirmou o Papa Paulo VI que “a Eucaristia é o maior dom do Coração de Jesus”, do seu amor, pois é na Eucaristia que Ele Se dá e entrega até ser nosso alimento e vai, ao longo dos séculos, numa multiplicação mística, alimentando multidões. O mesmo Senhor em milhões de hóstia, o mesmo Jesus da Ceia, em milhões de Eucaristias, realiza o prodígio máximo do seu amor. Sejamos famintos do Pão do Céu, famintos do Corpo e Sangue do Senhor. Só Ele sacia, mata a fome de felicidade e de paz, só Ele alimenta espiritualmente, só Ele é força e graça, só Ele cura e liberta. E quem O recebe tem a graça de permanecer em Jesus e Jesus permanecer em quem O come. Mistério divino do amor que inventa a maneira prodigiosa de ser nosso alimento.

COMPADECEU-SE DE TODA AQUELA GENTE

Pedaços de Vida – Ano B – nº 34

COMPADECEU-SE DE TODA AQUELA GENTE

(Mc 6,34)

O Evangelho deste Domingo apresenta matizes do Coração de Cristo muito belos, muito sensíveis. Ele é o Amor, ama com Coração verdadeiramente humano, é Amigo e vibra com a situação das pessoas.

Primeiro, preocupado com o cansaço e a labuta dos seus discípulos, convida-os a ir descansar um pouco e procura um lugar isolado para tentarem um merecido repouso. Aqueles homens seguiam-No, caminhavam muito a pé, nem sempre bem alimentados, com grande multidão que às vezes os incomodavam. Era urgente e necessário um bom descanso. E consola-nos que Jesus esteja atento a estes aspectos tão simples e tão humanos. Agora em tempo de verão e de férias parece que ainda apreciamos mais este gesto, este convite de Jesus: “Vinde e descansai um pouco”. O seu próprio Coração é repouso, é lugar de paz e de consolação, é lugar onde recuperar energias interiores e espirituais. É a fonte do amor, da alegria e da paz.

Jesus vai no barco para um lugar mais isolado da margem do Lago da Galileia. Mas a multidão, que O amava, que estava seduzida pelas suas palavras, que vibrava com o que Ele dizia e com os milagres que fazia, percebendo a “fuga”, foram de um lado e de outro, a pé, pela margem e chegaram ainda primeiro que Jesus e que os discípulos ao tal lugar mais isolado. E ao chegaram encontraram-se novamente rodeados por imensa gente. Jesus, com o Coração a vibrar, comoveu-Se, teve pena daquela imensa gente, e decide ensiná-los, explica-lhes mutas coisas. Podia tê-los mandado embora, podia não ter desembarcado e ir para outro lugar. Mas o seu Coração, sempre amigo e solícito, compadeceu-Se daquela multidão, pois eram como ovelhas sem pastor. Mas Ele, o Bom Pastor, sempre amigo, dedicado, que veio para dar a vida pelas suas ovelhas, que somos nós todos, tem compaixão, solicitude, amor por aquela gente. Não deixa de os ajudar, de lhes falar, de os atender, de os curar. E lá se foi o descanso dos seus discípulos e o seu próprio descanso. Mas Ele veio para dar a vida. Ele quer que todos tenham vida e a tenham em abundância.

No ano sacerdotal talvez seja bom fixar-nos neste Evangelho tirando lições para a vida e ministério dos sacerdotes e dos leigos que os ajudam e acompanham. Precisamos de aprender com Jesus, o Bom Pastor, o Único e Eterno Sacerdote, a saber dar a vida pelo povo de Deus, a entregar-nos sem reservas, a ser padres a tempo inteiro. Padres, sempre padres, no dom e na entrega ao rebanho, às ovelhas que andam cansadas e sem pastores. Precisamos de inventar modos de servir e de amar, maneiras concretas de nos darmos para que os outros tenham vida e vida em abundância. Que não falte ao rebanho a solicitude dos pastores. E como os leigos, sobretudo os mais comprometidos, têm que assumir também essa entrega, esse dom, essa generosidade, esse serviço dedicado sobretudo aos mais pobres, mais idosos, mais doentes, mais marginalizados, mais sós, que mais sofrem, que Têm menos formação, que precisam de aprender a seguir mais o Mestre e a ser generosos na entrega.

O Evangelho de hoje lança-nos numa perspectiva apostólica maravilhosa, com o coração em fogo, desejosos de fazer o bem e de cuidar das ovelhas sem pastor. Daqui nascerão muitas iniciativas, como nascerá o desejo de rezar mais e mais pelo rebanho do Senhor, pedindo o dom de bons e dedicados pastores, generosos, simples, serviçais, dedicados ao próximo com alma e coração, sem interesses pessoais, sem ganância económica, sem egoísmos que não os tornam servos dedicados do Povo de Deus.

OS APÓSTOLOS PARTIRAM E PREGARAM…

Pedaços de Vida – ano B – nº 33

OS APÓSTOLOS PARTIRAM E PREGARAM…

(Mc 6, 12)

Jesus chama os seus apóstolos, envia-os a pregar, dá-lhes instruções, e eles partem, pregam o arrependimento, expulsam demónios, ungem doentes com óleo e curam muitos desses doentes.

O chamamento de Jesus é dom e graça. Ser escolhido para ser enviado comporta um olhar do Mestre, uma opção de escolha, um envio. Hoje, cada baptizado tem o mesmo chamamento. Ser baptizado é ser apóstolo, enviado de Jesus, com uma missão concreta: ensinar, fazer discípulos, proclamar a Boa Nova. Em casa, na escola, na fábrica, no local de emprego, de descanso, de diversão, onde está um baptizado tem de estar sempre alguém que se sente apóstolo do Senhor, que quer com a sua palavra e seu testemunho anunciar Jesus, O Redentor, o Salvador, o Amigo. Como diria S. Paulo, oportuna e inoportunamente, falar d’Ele, dos seus mistérios, do seu amor, da sua vida, para que mais pessoas O amem e se deixem seduzir por Jesus. Todos os baptizados têm esta missão, somos todos chamados a esta evangelização. Não nos podemos calar, aburguesar, intimidar. Com audácia e desassombro falar do Senhor, do Reino, da Palavra que salva e liberta. E há tantos que não O conhecem, tantos que sendo baptizados não O seguem com determinação.

Como se torna urgente, como faziam os apóstolos e como fez Jesus, e antes d’Ele, João Baptista, pregar o arrependimento. Todos somos, como afirmou S. Paulo barro, mas trazemos em nós um tesouro. Por causa desse tesouro: Deus uno e trino, a sua graça, a sua vida, o seu amor, precisamos de arrependimento, de mudança de vida, de gostos, de critérios, de modos de ser, de mentalidade diferente. Precisamos de arrependimento da nossa conduta pouco cristã, pouco evangélica, demasiada mundana, tantas vezes pecaminosa. Precisamos de mudar, de uma verdadeira metanóia. Esta pregação, que já os profetas do Antigo Testamento faziam, é sempre actual. Quem é tão santo que não possa e deva ser mais? Quem ama tanto que não possa amar mais? Quem rezar tanto e tão bem que não possa rezar mais e melhor? Quem é tão justo, tão simples, tão humilde, que não possa e não deva crescer mais nessas dimensões? Mas para que este processo se realize o primeiro aspecto necessário é a convicção profunda que somos pecadores e necessitamos de arrependimento.

O texto fala na graça da cura que os Apóstolos pelo poder que Jesus lhes confiou, exerciam em favor de muitos doentes. Todos necessitamos desta cura. Todos somos doentes, pelo menos a nível espiritual. E se não temos o dom das curas, temos pelo menos a imensa e prodigiosa graça de participar no sacramento da Reconciliação que não só perdoa mas cura. E temos a graça da Eucaristia, em que Jesus vem a nós, fica em nós, para nos poder ir curando dos nossos pecados e doenças espirituais e corporais. Falta-nos fé para acreditar neste poder de cura que os sacramentos têm e que todos podemos usufruir. Fé mais viva no poder da graça que é medicinal. Santa Teresa de Ávila afirmava que muitas vezes, quando comungava até fisicamente se sentia melhor. E nós pedimos que a “comunhão sirva de protecção e remédio para a alma e para o corpo”. Acreditamos nisto? Aceitamos este desafio? Ajudemos os outros a aproximarem-se da fonte que cura, que é Jesus e o seu poder, a sua graça, a sua vida?

Precisamos de cristãos convictos e convincentes, que acreditam na Palavra de Deus, no poder da graça, no poder dos sacramentos que curam e libertam. Como o mundo precisa desta graça, deste dom, desta maravilhosa acção do amor divino.

Tuesday, June 23, 2009

JA DESEJOU UM FELIZ ANO SACERDOTAL AO SEU PRIOR?

Vai ser um ano óptimo, este ano que o Papa proclamou Sacerdotal.

Se estivermos atentos vamos descobrir como os Padres - quer falem bem ou mal, quer sejam bonitos ou feios, quer andem stressados ou não, etc. etc. etc. - são importantes para nós e para o mundo.

Quem senão os Padres nos dá a Eucaristia? Quem senão os Padres nos reconcilia com Deus e connosco próprios?

Quem somos nós para querer que um Padre seja assim ou assado e não simplesmente aquilo que ele é? (salvaguardados os defeitos, claro, que devem corrigir como todos nós)

Um Padre é Padre porque Deus o quis assim. Deu o seu sim, mas primeiro Deus escolheu-o. Que temos nós a fazer senão sermos gratos?

É muito bom ter Padres por perto, ter Padres no nosso País e na nossa cidade. É bom ter o Santíssim oexposto ali, a Missa a acontecer acoli, Igrejas abertas em tantos sitios da cidade.

Este ano já decidi que vou estar atenta aos Padres. Além de rezar por eles, coisa que já faço há algum tempo, vou-lhes dar algum sinal da minha gratidão de vez em quando (porque eu sou-lhes grata na verdade, nunca mostro por timidez e/ou estupidez). Vou tentar perceber o que posso fazer por eles (além de rezar) e vou tentar ficar mais disponível para que eles contem comigo, na prática.

E também "vale" mimá-los um bocadinho, desejar-lhes um feliz ano sacerdotal, por exemplo, se não tivermos ideia ou motivo melhor, porque não? 

Friday, June 19, 2009

COMEÇOU A ENSINAR NA SINAGOGA

Pedaços de Vida - Ano B – nº 32

COMEÇOU A ENSINAR NA SINAGOGA

(Mc 6,2)

Como bom judeu, Jesus ia ao sábado, dia consagrado ao Senhor, dia de oração, à sinagoga e aproveitava para ensinar. Todos ficavam admirados da sua sabedoria e dos seus milagres. Perplexos pelos seus ensinamentos, cheios de espanto por tudo o que dizia e ensinava. Era a sabedoria divina a falar com palavras humanas, a comentar as Escrituras, a falar das verdades da fé, a anunciar o Reino, a deixar no coração de quem O ouvia sementes de vida nova, de renovada esperança, de novidades divinas que só Ele sabia e podia ensinar e comentar. Não admira que ficassem perplexos.

Temos, como Jesus, ser arautos da Boa Nova, ser profetas de um mundo novo, ser anunciadores do Reino, ser verdadeiros evangelizadores. Todo o baptizado tem esta digna a abençoada missão: anunciar o Evangelho de Deus, a Palavra que salva e que liberta. Começando pelos pais no seio da família, evangelizando-se um ao outro, até chegar ao coração dos filhos e dos amigos. Nas comunidades religiosas onde não abunda a evangelização cuidada e séria, que conduza à conversão. Nas paróquias, começando pelas homilias, que nem sempre são evangelizadoras, porque não se baseiam na Palavra comida, assimilada em oração. Sempre e em toda a parte homens e mulheres que, à semelhança de Jesus querem ser evangelizadores, verdadeiros profetas.

E temos hoje novos púlpitos, novas sinagogas, pois quer na rádio, quer na televisão, quer na internet, quer em tantos meios de comunicação, precisamos que a Palavra seja comunicada, passe para o coração dos ouvintes e leve à mudança de vida, de critérios, de gostos, de opções. Só a Palavra rezada e assumida nos pode levar a estimar e cuidar mais da vida, do amor, da justiça, da verdade, da dignidade humana. Ele, Jesus é que é o Mestre. Só ouvindo-O com respeito e silêncio, só deixando-se trabalhar pela sua palavra, seremos arautos da verdade e do bem.

Se a alma do mundo está doente, se tantos optam pelo prazer fútil, pela violência que mata, pelo aborto e pela eutanásia, pela depravação moral e sexual, se tantos andam no mundo da fraude, da droga, da manipulação e exploração de menores, se há tanta violência doméstica e tanta atentado à vida e ao amor, é porque não estamos evangelizados por dentro, não escutamos a Palavra, não a tomamos como alimento, não pautamos por ela a nossa vida.

Muitos, hoje, afirmam com frequência: “eu acho que”, tentando desculpas para o seu modo de escolher e proceder, fazendo a sua “teologia”, deixando-se conduzir por seus gostos e critérios e não se perguntam que “acha Jesus”, que diz e ensina a Palavra. Ela é dura e, por vezes acutilante, mas urge ouvi-la e colocá-la em prática. No mundo de hoje não é fácil ouvir Jesus dizer “não cobices a mulher do próximo”; “ama os teus inimigos”, “só a verdade vos libertará”. Não há fácil aceitar e assumir que a Igreja tem o poder que Jesus lhe confiou e que suas normas e leis são caminho de salvação e de santidade. Daí que não podemos dizer “eu acho que falar à Missa ao domingo não é pecado”; “eu acho que ter relações pré matrimoniais não é mal nenhum”; eu acho que fazer um aborto não é matar”, eu acho que… tanta falsa teoria para justificar o nosso mal e o nosso pecado. Não é o caminho verdadeiro, que conduz ao bem e à verdade.

É Jesus, é a Palavra, é a Igreja, Mãe e Mestra, que têm o poder de nos dizer o que devemos ao não fazer. É por aí que temos que formar a nossa consciência, que temos de aferir critérios, que temos de buscar orientações sérias para o nosso modo de ser e agir. Caso contrário vivemos numa selva sem lei verdadeira, sem norma, sem dignidade. Deixemos Jesus ensinar-nos, como fazia na sinagoga da sua terra.

Dário Pedroso Sj

NÃO TEMAS; BASTA QUE TENHAS FÉ

Pedaços de Vida – ano B – nº 31

NÃO TEMAS; BASTA QUE TENHAS FÉ

(Mc 5,36)

No meio de uma tragédia, a morte de uma filha, no meio de uma tempestade que despedaçava o coração de Jairo, pai da criança, Jesus propõe um salto na audácia, na tenacidade de acreditar: “Não temas; basta que tenhas fé”. Mas fé para quê se a criança está morta? Fé para acreditar na vida eterna? Para acreditar na vida para além da morte? Sim, mas é preciso que essa fé vá mais longe. Jesus está ali, Ele tem o poder sobre a vida e a morte. Afinal trata-se de acreditar que Ele, Deus verdadeiro, pode ressuscitar a filha, pode salvar a situação, pode acalmar a tempestade, pode fazer o milagre, como já tinha feito o da mulher que Lhe tocou nas vestes com tal fé que ficou curada. Acreditas nisto? Então não temas.

Num mundo doente e em conflito, em famílias com tantos problemas, no meio de tantas situações de dor, de carência, de sofrimento, de conflito, acreditamos ou não que Jesus salva, cura, ressuscita, muda vidas e corações, transforma tempestades em bonanças, dá paz e alívio no meio da dor e do conflito? Nós, cristãos do século XXI, acreditamos mesmo que Jesus tem poder? Acreditamos que Ele cura e salva? Acreditamos? De verdade, tudo depende da nossa fé. Se acreditarmos veremos maravilhas, curas, milagres, conversões. Se acreditarmos, diz o Evangelho faremos maravilhas ainda maiores das que fez Jesus. Que espanto! Que desafio! Que loucura que só tem resposta no amor apaixonado de Deus por nós.

Não podemos desistir de acreditar que Jesus está Vivo, que Ele é o Salvador, que Ele pode curar. Mão podemos desistir que oração feita com fé, humildade e muita perseverança toca o Coração de Deus e alcança milagres. Se não forem milagres físicos, serão milagres espirituais que talvez sejam um dom e uma preciosidade ainda maior. Curar a alma, dar paz interior, conceder alegria no meio da dor, depositar esperança quando tudo parece desmoronar-se é verdadeiro milagre. Apaziguar tempestades no coração e na alma, curar depressão e tormento interior, dar à família unidade e comunhão é verdadeiro milagre que Jesus pode conceder. Precisamos de fé para acreditar que Ele nos ama com o mesmo amor com que deu a vida por nós. Ele não mudou, seu Coração não mudou, sua paixão por nós não mudou. Acreditamos nisto? Se Ele nos ama até à loucura do dom, temos que acreditar até à loucura da confiança sem limites, mesmo no meio das noites escuras, das tempestades da vida, das dificuldades. Acredita e caminha. Acredita e sorri. Acredita e lança-te no abismo do amor de Jesus.

Descobre os pequenos milagres do dia a dia, aquilo a que chamamos coincidências, mas são actos invisíveis do seu amor. E através desses pequenos milagres, lança-te, com confiança e fé, a pedir mais, a pedir outras manifestações do amor do Divino Mestre, o Amigo, o Redentor, o Salvador. Abre-te à graça, à força do fogo divino de Pentecostes, à certeza que Jesus está vivo e quer ser em ti dinamismo de amor sem limites.

Se a mulher que Lhe tocou nas vestes ficou curada, não poderás tu ficar curado, quando O recebes, O comungas, vives d’Ele, permaneces n’Ele pelo dom da comunhão? Porque não ousamos acreditar? Santa Teresa de Ávila afirmou que quando comungava, muitas vezes, até fisicamente se sentia melhor. E a nossa Beata Alexandrina, tão pouco conhecida de tantos portugueses, não viveu cerca de 14 anos só alimentada pela Eucaristia, sem comer e beber nada mais? Como nos sentimos pequemos perante o amor de Deus que faz esta divinas loucuras. Por isso não temas; basta a tua fé. Pede uma fé mais firme, mais confiante, mais ousada. E haverá milagres.