Thursday, November 5, 2009

OLÁ LISBOA….DAQUÍ MADRID

A PEREGRINAÇãO CONTINUA....NUM ANO DEDICADO AOS SACERDOTES..

O Papa quiz, no dia 19 de Junho, que este ano todos nós tivéssemos muito presentes os 409.000 Sacerdotes que há no mundo. Amar e rezar.. rezar muiot pelos que um dia souberam deizer que Sim à chamada de Deus e se entragaram a Ele por completo...a Ele e a nós. Rezar para que sejam Santos.

Um advogado de Lyón que foi a Ars confessar-se e lhe preguntaram o que viu alí, respondeu que “vi a Deus num homem”. O Santo Cura d´Ars, padroeiro dos sacerdotes, chegava a estar 18 horas por dia num confessionário.

A “Redenção” sem sacerdotes não teria servido para nada.

Na Missa rezamos sempre pela Igreja, pelo Papa, pelo Bispo da nossa Diocese...óptimo momento para rezar sempre pelos padres. Pelo que me confessa. Pelo que me dá a comunhão. Pelos que Deus colocou no meu caminho para me ajudarem e aproximarem Dele. E com nomes próprios: tenho uma lista bem grande em que não faltam os da nossa caminhada (P. Dário, P. Eduardo, P. Vasco, P. Zeca, P. Bosco...e P. Manuel Vieira Pinto que nos casou...e dos Cursos de Cristandade, o P. Vaz (+), P. Januario, P. Waldemar...e o Padre que está aquí no altar a celebrar a Missa...etc, etc..

Quando um Cardeal Alemão foi visitar a terra do noso Papa Bento XVI, ele, pequeno ainda, decidiu que “quando for grande vou ser Pintor ou Cardeal”. O dia 29 de Junho de 1951, dia em que foi ordenado Sacerdote por esse mesmo Cardeal, deve ter sido o dia mais feliz da vida do P. Joseph Rahtzinger.

Estou certa que também o dia 1 de Novembro de 1946 foi o grande dia do P. Karol Wojtila, dia em que se revistiu da dignidade incomparável de ser Sacerdote de Jesus Cristo.

Julgo que este texto de Hugo Wast nosvai servir a todos para meditar neste ano sacerdotal:

Quando se pensa que nem a Santissima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote;.Cuando se pensa que nem os anjos nem os arcanjos, nem Miguel nem Gabriel nem Rafael, nem principe nenhum daqueles que venceram Lucifer podem fazer o que faz um Sacerdote;.

Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo ne última ceia realizou um milagre maior que a criação do Universo, com todos os seus esplendores y que converteu o pão e o vinho no seu Corpo e Sangue para alimentar o mundo, e que este poder diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode ser repetido pelo sacerdote; Cuando se pensa noutro milagre que apenas um sacerdote pode realizar, perdoar os pecados e no que ele ata no fundo do seu humilde confessionário, Deus obrigado pela sua propria palavra, ata-o no céu, e o que ele desata, no mesmo instante o desata Deus.

Quando se pensa que a humanidade se redimiu e que o mundo subsiste porque há homens e mulheres que se alimentam cada dia de esse Corpo e dessa Sangue redentora que só um Sacerdote pode realizar.


Quando se pensa que isso pode acontecer, porque é que faltam vocações sacerdotais?

E quando isto acontecer se comoverão os ceús e estalará a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de a sustentar; e as pessaoas gritarão de fome e angustia e pedirão esse pão e não haverá quem lho dê; e pedirão a absolvição das suas culpas e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos com o maior dos espantos.

Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei,mais doque um militar, mais do que umbanqueiro, mais do que um médico,mais do que um professor,porque ele pode substituir a todos e nenhumde eles o pode substituir;

Quando se pensa que um Sacerdote quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior do que um rei, e que não é nem um simbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas que é o próprio Cristo que ali está repetindo o maior milagre de Deus.

Quando se pensa em tudo isto. compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais..

Compreende-se (ou compreendemos)o afám com que em otros tempos, cada familia ansiava por que no seu seio brotasse uma vocação sacerdotal..
Compreende-se (ou compreendemos)o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se reflectia nas leis.
Compreende-se (ou compreendemos) que o pior crime que alguém pode cometer, é impedir ou desanimar uma vocação..
Compreende-se (ou compreendemos)que provocar uma apostasia é ser um Judas e vender a Cristo de novo..
Compreende-se (ou compreendemos)que se um pai, uma mãe, impedem a vocação sacerdotal de um filho é como se renunciasse a um titulo de nobreza incomparável;
Compreende-se (ou compreendemos)que é mais necessário um seminário, que uma Igreja, e mais que uma escola, e mais que um hospital.
Compreende-se ( ou compreendemos) que doar para a construcão ou manutenção de um seminário é multiplicar os nascimentos do Redentor;
Compreende-se (ou compreendemos) que doar para custear os estudos de um jovem seminarista é aplanar o caminho por onde há-de chegar ao altar, um homem, que durante meia hora cada dia, será muito mais do que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será o próprio Cristo,sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue para alimentar o mundo..

Hugo Wast

Manaça

Sunday, November 1, 2009

Terça Feira - 21.30h - Oração pelos Doentes

Olá a todos,

Aqui vimos para mais uma noite de Oração com Maria sempre presente:



«Verdadeira ''mulher orante'', Maria de Nazaré sabe ser contemplativa na acção. Busca e encontra todas as coisas em Deus e Deus em todas as coisas.» Padre Dário Pedroso

É neste encontro, que tentamos, com a ajuda de Maria, O ver nas nossas pequenas coisas.

Dia 3 de Novembro

Terça Feira - 21.30h.

Capela do Rato - Oração pelos Doentes

(terço)


Passem a mensagem aos vossos amigos, os pedidos de oração crescem todos os dias, estamos a precisar de força na oração.

Beijos e até lá.

Friday, October 30, 2009

Padre Luís Kondor regressa à casa do Pai

Padre Luís Kondor descanse em paz

O momento vivido na manhã de 30 de Outubro, em Fátima foi de recolhimento mas de esperança cristã, que, nas palavras de D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, nos faz compreender “que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na Vida que não conhece mais morte, nem o luto, nem a dor”.


O mundo despediu-se de um arauto da mensagem de Fátima, o Padre Luís Kondor, Vice-Postulador da Causa da Canonização dos Pastorinhos de Fátima, falecido aos 81 anos, em Fátima, na casa onde residia.


A celebração das exéquias esteve inicialmente marcada para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, onde estão tumulados os Pastorinhos Videntes, mas, por haver informação de que um grande número de pessoas queria prestar a sua última homenagem ao Padre Kondor, a celebração acabou por ser transferida para a Igreja da Santíssima Trindade, que pela primeira vez acolheu uma celebração deste género.


A Missa foi presidida pelo Bispo de Leiria-Fátima e concelebrada pelo Bispo de Lamego, pelos Bispos Eméritos de Leiria-Fátima, Coimbra e Portalegre-Castelo Branco e por mais de 150 sacerdotes. Em destaque, pelo grande número, os sacerdotes da Congregação do Verbo Divino, a que o Padre Kondor pertencia, e os residentes na Diocese de Leiria-Fátima.


Participaram na celebração mais de três mil pessoas, que se juntaram a muitas outras que não podendo estar presentes manifestaram nos últimos dias aos familiares do Padre Kondor, à Diocese de Leiria-Fátima, à Congregação do Verbo Divino, ao Santuário de Fátima e à Postulação dos Videntes o quanto reconheciam, acarinhavam e estimavam este sacerdote.


Durante a homilia D. António Marto disse que o Padre Kondor, enviado para Fátima quando a Hungria foi invadida, soube melhor que ninguém compreender os apelos da mensagem Fátima, o que o levou, depois, a decidir-se difundi-los pelo mundo inteiro.


“Nas Aparições em Fátima, Nossa Senhora fez ecoar, de novo, precisamente esta mensagem do Magnificat para a humanidade do século XX, em risco de afundar-se no abismo infernal da autodestruição, e para a Igreja ferozmente perseguida para ser aniquilada. Foi esta beleza e grandeza da graça e da misericórdia de Deus que fascinou os pequenos videntes, os pastorinhos, e os atraiu para o caminho da santidade. Foi esta mensagem que o P. Kondor, vindo do Leste, percebeu, com particular acuidade, na sua relevância e urgência para a Igreja, para o mundo e para a vida cristã. Por isso se tornou um dos grandes arautos da Mensagem, com uma íntima, profunda e total dedicação. Promoveu a sua difusão universal com a publicação das ‘Memórias da Irmã Lúcia’ e do ‘Boletim dos Pastorinhos’ em várias línguas e através das suas viagens a vários países”, disse.


O prelado de Leiria-Fátima sublinhou também o grande afecto que Padre Kondor dedicou aos pastorinhos, “tomando a peito a causa da sua beatificação e difundindo a sua espiritualidade”, e a sua “devoção profunda ao Imaculado Coração de Maria” e que, por tudo isto, “o nosso caro P. Kondor fica indelevelmente ligado à história de Fátima”.


D. António recordou com comoção um dos encontros pessoais que lhe fez, na fase final da sua doença. “Numa visita que lhe fiz na fase final da doença confidenciou-me: “Quero viver este sofrimento como oferta de reparação tal como os pastorinhos”. E numa outra vez perguntou-me: ‘que posso ainda fazer, assim, pela Diocese’? Ao que eu lhe respondi: ‘Ofereça o seu sofrimento pelo dom das vocações sacerdotais de que a Diocese tanto precisa’. ‘Sim, sim’, foi a sua resposta serena, como quem se sente em paz”.


A solidariedade era uma outra característica marcante do carácter e das acções do Padre Kondor, o que lhe veio a merecer a homenagem pela “Fundação Ajuda à Igreja que Sofre”, comemorando os seus 50 anos de Padre e de presença em Portugal, e a insígnia de Comendador da Ordem de Mérito, atribuída pelo Presidente da República Jorge Sampaio.


Recorde-se que, durante muitos anos, o Padre Luís Kondor colaborou como intermediário entre instituições da Igreja alemã e obras nas dioceses Portuguesas. Entre os muitos apoios que consegue para a Igreja católica portuguesa, destaca-se: reconstrução de várias igrejas nos Açores, após o grande sismo de 1.01.1980. Dedicou-se a diversas obras: em 1956 a construção do Monumento dos Valinhos, em 1959 a imagem de Santo Estêvão que se encontra na Basílica; de 1960 a 1965 colabora com D. João Pereira Venâncio na construção do Seminário Diocesano de Leiria, do Colégio S. Miguel e do Colégio da Marinha Grande; em 1964 a construção da Via Sacra e Capela do Calvário; de 1974-1997 colaborou na transferência de ajudas financeiras da Weltkirche-Köln para dioceses, conventos, casas sacerdotais, paróquias e casas sociais em Portugal; de 1974-1997 colaborou com o Europäischer Hilfsfound das Conferências Episcopais da Áustria, Alemanha e da Suíça, no apoio a dioceses portuguesas; em 1979 a Construção da nova Casa Episcopal de Leiria; de 1975-1985 colaborou na construção dos novos Carmelos de Patacão (Faro), Bom Jesus (Braga) e São Bernardo (Aveiro).


“Até ao fim, manifestou o seu profundo amor pela Igreja. Neste momento, é nosso dever reconhecê-lo como um grande benfeitor da Diocese de Leiria-Fátima e da Igreja em Portugal. Com os seus vastos contactos internacionais conseguiu grandes ajudas para muitas dioceses, paróquias, seminários, mosteiros e causas sociais. A Igreja em Portugal fica-lhe muito grata e não o esquecerá”, sublinhou D. António Marto na homilia.


No final da celebração, antes da viagem até ao Cemitério Paroquial de Fátima, onde o corpo do Padre Kondor foi sepultado, tomou da palavra do Superior Provincial da Congregação do Verbo Divino, para agradecer todas as mensagem a manifestações de carinho pelo Padre Kondor na fase final da sua vida e também após a sua morte.


“ (O Padre Kondor) foi missionário toda a sua vida”. “O seu amor a Nossa Senhora era amparo, protecção e alegria, e sobretudo o caminho para chegar a Jesus Cristo. Era grande amigo dos Pastorinhos de Fátima”, disse o Padre José Nunes da Silva.
“Desejo que o amor infinito de Deus que tudo renova e que muito nos ama nos fortaleça e nos torne capazes de dar a vida à missão, como ele fez”, concluiu.


LeopolDina Simões, Sala de Imprensa

Ler aqui a Homilia da Missa

Domingo, dia 1 de Novembro - Solenidade de Todos os Santos

BEM-AVENTURADOS…
(Mt 1,2)
O apelo à santidade já vem de muito longe, já percorreu milhares e milhares de anos: “Sede santos, porque Eu o Senhor vosso Deus sou Santo”. Esta palavra do início da Bíblia foi ouvida e rezada por milhões de crentes, por uma multidão sem número: “sede santos”. O Povo de Deus tinha que ser um Povo de santos, pois o Senhor era o “Santo”. Deus é o Deus Santo. Criados por Ele temos que ser santos como Ele é Santo. Depois, no Novo Testamento aparecem muitos apelos à santidade: “sede perfeitos como o Pai é perfeito”. “ A vontade de Deus é a vossa santificação”…Não cessam os apelos, os convites, os desafios a uma vida santa.
Hoje ao celebrar a Solenidade de Todos os Santos, estes apelos devem ecoar dentro de nós. O mundo, a Igreja precisam de santos. Na família, no seio da sociedade, nas escolas, nas fábricas, na vida social. Sacerdotes santos, consagrados santos, leigos santos. Correspondendo aos apelos de Deus temos que caminhar na santidade, tentar responder com uma vida mais evangélica. Os santos são os grandes benfeitores da humanidade e da Igreja. São sentinelas da esperança, são portadores de Deus e da sua graça, homens e mulheres que amaram sem medida, contemplativos na vida, corações em fogo, vidas apaixonadas por Deus e pelos irmãos, pessoas que se esquecem de si para se darem aos outros, sobretudo aos mais pobres e aos que mais sofrem, vida impregnadas do divino, vidas cristificadas pelo dom da graça. Homens e mulheres que tomaram o Evangelho a sério e viveram a alegria das bem-aventuranças, que o texto da Eucaristia de hoje proclama.
Todos os Santos, canonizados ou não, significam todos os que já partilham a comunhão total com a Trindade, que participam da vida em Deus em plenitude, na festa que nunca mais terá fim. Santos de todas as raças, de todas as idades, de todas as culturas, de todos os estados de vida…santos da nossa família, da nossa terra, muitos dos nossos amigos… Que alegria celebrar hoje essa multidão imensa de bem-aventurados. É convite à acção de graças, convite e apelo à nossa santidade. Não à mediocridade, não à tibieza, não à preguiça espiritual, não ao mundanismo que nos impede viver o Evangelho mais a sério. Um sim radical e generoso ao amor, à vida, à justiça, à verdade, às bem-aventuranças assumidas e vividas a sério, com audácia e determinação.
A santidade é mais dom de Deus que conquista nossa. É acção do Espírito Santo que nos vai trabalhando interiormente e santificando, vai curando e purificando. Acção da graça, sobretudo da Eucaristia que serve de remédio para a alma e para o corpo. Protecção da Virgem Maria que intercede, ampara, encaminha. Acção misteriosa da Palavra de Deus em nós, que nos burila e converte, que nos faz ser ao jeito de Jesus. Mistério insondável do amor que nos quer conquistar o coração, fazer atear sempre mais o fogo divino em nós. Tudo, como é claro e evidente, com a nossa colaboração, a nossa participação, o querer determinado da nossa vontade, o esforço deste “vaso de barro”, que quer caminhar com Deus e em Deus para ser “bem-aventurado”, feliz, homem e mulher a viver a paixão por Jesus, a comunhão trinitária, a alegria do dom e do serviço evangélico, a assimilação progressiva da Palavra. Sem esquecer nunca que a santidade tem um nome: o amor, a caridade, que é serviço, dom, entrega, oblação, que se expressa de muitos modos, como ensina S. Paulo, mas sempre num desejo de amar mais, amar melhor, para ser “bem-aventurado”, para viver sempre mais feliz.

Wednesday, October 14, 2009

Enviado Pela Nicas

Cristianismo I

Há em todos os países europeus uma tradição e cultura cristã, que deu sentido e implantou valores a uma civilização, que irradiou para o resto do mundo, exercendo sobre longínquas culturas locais, uma influência que suponho, ninguém põe em dúvida. A Europa com especial relevância para Portugal e Espanha, foram os principais artífices dessa saga missionária cristã, que teve inicio no século XV. Mas será que estes dois países são actualmente verdadeiramente cristãos? Será que o Cristianismo praticado e/ou vivido pelas pessoas é um Cristianismo autêntico? Veja-se o caso português, embora me pareça que a situação em Espanha é em tudo idêntica à nossa. Julgo que neste contexto, é possível dividir a totalidade dos cidadãos em quatro grupos distintos.

Um primeiro grupo será constituído por aqueles que professam outras religiões, pelos ateus (negam a existência de Deus) e pelos agnósticos (entendem que o homem nada pode conhecer para além da experiência imediata). Constituem sem dúvida um grupo reduzido, cujo valor de percentagem estará longe de um número com dois algarismos.

Distingo depois um segundo grupo, sem dúvida o mais numeroso, o qual poderei designar como o dos Católicos não Praticantes. Constituem este grupo:

-Os que mercê de uma formação infantil cristã, ou de um ambiente onde apesar de tudo os valores cristãos ainda são aceites, trazem no seu subconsciente, resíduos desses valores.

-Os que respondendo a um senso da população, na pergunta sobre que religião professam, colocam uma cruzinha no quadrado da Católica.

-Os que aceitam casar na Igreja, baptizam os filhos, levam-nos à Catequese, participam nos actos litúrgicos, embora não estejam esclarecidos e conscientes do que tal significa.

-Os que querem para si e para os seus familiares, um funeral com o Padre.

-Vão à Senhora de Fátima cumprir uma promessa feita em momento de aflição.

-Exigem que haja procissão na festa anual da sua aldeia.

-Muitíssimos são anti-clericais, dizem mal dos Padres, dos Bispos e da Igreja, de que são parte integrante, se baptizados e têm a SUA religião. Esta sua religião não implica porém compromisso, nem preocupação de conduta, de uma vida coerente e honesta.

-Chamam beatos aos que vão à Igreja (por vezes com razão) e dizem que para se relacionarem com Deus, não precisam nem dos Padres nem da Igreja, o que em parte, mas só reduzida parte é verdade.

-Sabem que Cristo existiu (a historia o confirma), que pregou uma mensagem de amor entre os homens, mas que morreu há dois mil anos.

-Acham que até é bom que haja religião, pois é sem dúvida um travão para a maldade dos homens, dos outros homens ,obviamente. Para eles Deus só existe nos momentos difíceis, quando já não há mais a quem recorrer.

Julgo poder distinguir seguidamente, um terceiro grupo, muito menos numeroso que o anterior, e que designarei como o dos Católicos Praticantes, que se caracterizam pelo seguinte:

-São antes de tudo e em larga escala pessoas bem-intencionadas, mas preocupadas sobretudo com a sua salvação.

-Reduzem a religião a uma série de praticas, às quais assistem (não participam) por obrigação e com sacrifício (assim o dizem).

-Reduzem a Igreja a uma agência de Sacramentos, uma espécie de estação de serviço, onde e quando necessitam, se vão servir de Missas, Baptismos, Comunhões, Novenas, Funerais, etc.

-Ao saírem do Templo deixam de ser cristãos, pois o seu Cristianismo deixa de influir na sua vida. Destes dizem, e com razão muitas pessoas “Era bem melhor que fossem menos à Igreja, mas fossem boas pessoas”.

-Sabem muitas orações de cor, que debitam sem se aterem ao sentido das palavras. A grande maioria nunca leu o Novo Testamento, a principal fonte da Revelação Cristã.

-De Jesus Cristo sabem o que aprenderam na catequese ou pouco mais, e que é sem duvida importante. Que foi a encarnação de Deus numa pessoa humana, e que deixou uma maravilhosa mensagem de amor, mas que tudo isso é passado.

-Não estão conscientes que Cristianismo sem expressão apostólica/missionária, não existe com autenticidade. É pura beatice na pior acepção da palavra.

-Não se aperceberam que para se viver o Cristianismo com autenticidade, é necessário que a vida seja vivida em coerência com os valores que dizem ser os seus.

-Quanto ao preceito que devem amar os outros, incluindo os inimigos, aceitam-no em teoria mas no concreto……?

-A religião é para muitos um salvo-conduto para a sua salvação, vivem sobretudo no temor de Deus e desconhecem o amor a Deus. Outros aspectos poderiam ser citados para caracterizar este grupo, mas por agora fico-me por aqui.

Mais reduzido, assim suponho eu, que os dois anteriores grupos, surge um quarto e último, que designarei como dos Católicos-Cristãos, já que o centro da sua vida é Jesus Cristo. As suas principais características são as que cito seguidamente:

-Um dia descobriram Jesus Cristo, ao terem um encontro pessoal com Ele, onde sentiram e se aperceberam, que Cristo estava ali presente, junto de si.

-Um encontro único e maravilhoso, não só pela indefinível e elevada densidade dessa vivência, mas também pela claridade e luz, que a partir de então passou a jorrar sobre a vida e os seus problemas.

-Ficaram a saber que o ser supremo, absoluto e criador, é-lhes permanentemente acessível na pessoa de Jesus Cristo. Com Ele podem e devem dialogar sempre que o desejem.

-Sabem-se e sentem-se amados por Cristo, amor que sentem necessidade de retribuir, o que passam a fazer das formas mais diversas.

-Procuram saber mais e conhecer melhor Jesus Cristo, o que os conduz à prática de uma leitura atenta e frequente do Novo Testamento.

-O melhor conhecimento da pessoa de Cristo consciencializa-os, não só para a infinita grandeza do Homem-Deus, mas também para a pequenez da pessoa humana.

-O encontro com Cristo possibilita ainda um outro encontro, que eu considero fundamental, o encontro consigo próprio, e fica-se com a coragem de nos vermos tal como somos por dentro. Usando o espelho da humildade, reconhecem-se os defeitos e também as qualidades. Os defeitos tentam emenda-los e os talentos põem-nos a render.

-Ficam a saber que Cristo se identifica com cada um de nós (Ele próprio o afirma), cada homem ou mulher é um Cristo.

-A consciencialização desta realidade condu-los a um terceiro encontro com os outros. Os outros existem e abstraindo das diferenças nas qualidades humanas, o outro em termos de dignidade humana vale tanto como eu.

-O impacto do encontro com Cristo é de tal maneira penetrante e impregnante, que quando ele ocorre, aquele que passa por esta experiência muda radicalmente a sua forma de estar na vida.

-Encontram finalmente um ideal digno de ser vivido pelo homem, ideal que não excluindo outros ideais legítimos e humanos, coloca-se todavia acima deles.

-A esta adesão a Cristo costuma chamar-se conversão, e eu diria que é o grande e decisivo passo que se dá na caminhada da conversão, já que esta é obra de toda uma vida.

-O encontro com Cristo condu-los a algo que é fundamental no Cristianismo, a fé em Jesus Cristo ressuscitado que é a garantia de tudo o que Ele veio revelar e em que acreditam.

A fé não é algo que explica tudo, que torna tudo claro e transparente, mas a certeza que Cristo existe, está vivo e presente nos Cristãos, e a consciência de que os homens são seres limitados, faz que aceitem com simplicidade a sua incapacidade de não só não penetrarem totalmente nos mistérios da vida, mas também o não compreenderem os porquês de acontecimentos por vezes trágicos, que ocorrem e para os quais não encontram explicações racionais.

-O encontro com Cristo trás consigo uma enorme paz interior, geradora de felicidade porque se reconhece pecador o homem esforça-se por ser melhor.

-O desejo de que os outros, a começar por aqueles que lhe estão mais próximos usufruam da mesma fé, da mesma paz e da mesma felicidade, leva-os a empenharem-se em tarefas apostólicas, não só como um dever, mas sobretudo como um desejo e uma necessidade na linha do amor.

Muito mais se poderia dizer sobre este tema, mas vou deixá-lo para outras ocasiões que certamente hão-de surgir, não quero porém terminar, sem dizer o seguinte:

Na caracterização dos 2ºs e 3ºs grupos, fui por vezes crítico, e ao sê-lo não estive a apontar o dedo a ninguém que eu conheça. Procurei criticar atitudes e não pessoas, porém se alguém se sentir atingido, que enfie a carapuça com humildade, pois eu tenho-a enfiado muitas vezes.

Ao caracterizar os grupos, não foi minha intenção classificar os que se identificam com os três primeiros grupos como os maus, e os do quarto grupo como os bons, há boas e más pessoas em qualquer um deles. Certamente que os do quarto grupo pelas ajudas e graças que recebem e pela consciencialização que têm sobre a situação, serão capazes de um maior esforço na caminhada, de se afastarem das suas imperfeições e valorizarem as suas virtudes. Sem qualquer espécie de mérito da minha parte, eu tive o meu encontro com Jesus Cristo, quando tinha 38 anos, e um dia contar-vos-ei como tudo ocorreu. O impacto desse encontro, as inúmeras graças que ao longo da minha vida venho recebendo, e algum esforço pessoal, têm permitido que no essencial eu continue fiel ao meu SIM, que na altura dei a Cristo, claro com acidentes de percurso, caindo e levantando-me como é próprio da fragilidade humana.

A caracterização que fiz do quarto grupo, é pois o testemunho da minha vivência do acontecimento, e das suas consequências. Julgo que não terei errado ao generalizar a minha experiência, pois me parece que todos os que passaram por uma experiência idêntica, e tenho conhecido muitos, não enjeitariam aceitar como válidas as minhas afirmações.

Um grande xi-coração do Pai,

Outubro de 1995

(José Froes)