Tuesday, May 22, 2007

porque e para onde caminhamos?


Porque e para onde caminhamos?

Quem se mete à estrada para experimentar fazer uma peregrinação, fá-lo por imensos e variados motivos. Vou à 22 anos e ainda hoje me pergunto o que me faz meter uns sapatos de ténis, uma roupa confortável, uma mochila sem dinheiro, sem “baton”, sem agenda, sem nada daquilo que normalmente uso, e em vez disso levo um guião (cheio de gralhas, sorry??), que me fala exclusivamente de Jesus, uma caneta, um rolo de papel higiénico, uns talheres, e uns pratos de papel, sem me preocupar onde como, durmo ou lavo. Vou. Livre!
Que me leva a arriscar um calor e um sol que não nos larga, ou uma carga de água que me molha até os ossos?
Que me leva a andar à beira da estrada com milhares de outras pessoas, a maior parte nem conheço, a levar com o CO2 na cara, arriscar ser atropelada e andar, andar até me maravilhar com o campo tão cheio de características parecidas com os ambientes da terra de Jesus? Lugares lindos e simples, pobres e semeados de flores que ali foram parar não se sabe como. Abrigar à sombra das Oliveiras tão ou mais antigas como esta História de Fátima. Aceitar um copo de água que alguém que nunca mais vou ver, me oferece. Rir até doer com graças que só as crianças entendem.
Que me leva a dizer em casa à família, até daqui a 7 dias, que parto porque vou rezar? Rezar por todos. E o mais extraordinário é que todos contam com a minha oração!
Pergunto-me ainda: que trago eu para casa? Que é que mais me tocou nestes dias? Rezei por todos?
São perguntas que me habituei a fazer cada dia, todos os dias. Nem sempre tenho resposta. Muitas vezes não cumpri nada do que me propus. Outras venho agradecida com a paciência de Deus e com a noção de que pequei, pequei muito no caminho. E sempre com a certeza do quanto sou amada por Ele.
Esta consciência de pecado, tem-me sido iluminada cada vez que julgo estar mais perto de Jesus. Como se Ele neste caminho da Vida, me quisesse mostrar como tantas vezes ando enganada. Tantas vezes a julgar e a consumir a Religião como se eu fosse alguém especial. E então compreendo porque uma peregrinação é tão importante.
Este ano foi muito especial por todas estas razões. Foi aquela que mais sublinhou algumas destas “nódoas”.
Em primeiro lugar parti este ano, convencida de que não precisava de ir.
Em segundo lugar, estive sempre meia irritada, como nada do que estava a viver fosse novidade para mim. Afinal o que eu queria era sensações novas, diferentes. Impressionante como podemos ser tão presunçosos.
Em terceiro lugar, escandalizei-me com algumas atitudes de algumas pessoas que tal como eu acham que temos direitos especiais e que as coisas devem ser feitas à nossa medida, a medida do Estoril.
Em quarto lugar, tive a audácia de desejar ouvir homilias novas, outras palavras. Esqueci-me que a mim ( a nós) nos é dado caminhar não com um, mas com 4 padres, que nos servem e ouvem do nascer ao por do sol, sem dizer não a ninguém. Esqueci-me que há muitas lugares no Mundo onde não uma única missa no espaço de quilómetros ou no ano.
Então, cada vez que faço este exame de consciência da minha caminhada, penso: ainda bem que fui. Ainda bem que não me acho santa, que ainda me falta tanto. Ainda bem que faço dos outros o meu espelho, para não criticar, mas mudar o que vejo errado em mim. Ainda bem que apesar de ser tão mimada pela vida, estragada pelo conforto e pela soberba posso recorrer ao sacramento da confissão e assim como Jesus disse a Nicodemos, poder nascer de novo. Vou percebendo que só me colando a Jesus, posso ser radicalmente sua seguidora. E digo em alto para nunca me esquecer:
Quero ser sua, mas de coração manso. Ao seu jeito!
Quero ser sua, mas disposta a deixar tudo!
Quero ser sua, sem impor nada aos outros!
Quero ser sua, com o meu exemplo e não pelas palavras!
Quero sorrir perante o que me comove e sem que nada me perturbe, ponha mãos à Obra.
Quero ser sua, como Ele me imaginou e sei que no dia que morrer posso dizer como Padre Hugo, no encontro em Santarém, Ele vai estar ali para me levar para sempre.
Por tudo isto quero agradecer especialmente aos nosso queridos Padres Dário, Hugo, Diogo, Eduardo, a disponibilidade, o cansaço e a paciência que tiveram connosco, sobretudo comigo.
Agradecer á tia Gena, oh Tia Gena, como eu gosto de ti! E como às vezes apetecia-me dar-te um beliscão, por aquilo que não entendo em ti. E como às vezes queria pegar em ti ao colo, para não te cansares e estares sempre à nossa “beira”.
Agradecer a todos os que me deram de comer, de dormir.
Agradecer à minha querida mãe, que quero aprender a amar cada vez mais.
Agradecer a Maria, Nossa Senhora, ter aparecido em Fátima, e me (nos) dar a oportunidade de percorrer este Caminho, que não é deste Mundo, mas já do Mundo que há-de vir.

Sofia Guedes
Junho 2007