Tuesday, December 16, 2008

Wednesday, December 10, 2008

Querem-nos roubar o Natal...

Querem-nos roubar o Natal...
Bom-Dia, 20081209
Rui Corrêa d' Oliveira

Querem roubar-Te o Natal, Senhor.
Querem ficar com a festa,
mas não querem convidar o festejado.

Querem a árvore de Natal, mas esquecem a sua origem;
querem dar e receber presentes,
mas esquecem os que os Magos Te levaram a Belém;
querem cantos de Natal,
mas esquecem os que os Anjos Te cantaram naquela noite abençoada.
Até a São Nicolau o disfarçaram de “pai Natal”.

Querem as luzes e o feriado, o peru e as rabanadas;
Querem a Ceia de Natal
mas já não vão à Missa do Galo,
nem Te adoram feito Menino nas palhinhas do Presépio.

Quando se lembram estas coisas e o facto que lhes deu origem
diz-se que “o Natal é todos os dias”,
mas não se dispensa esta quadra de consumo e folguedos.

No meio de toda esta confusão deseja-se a paz e a fraternidade,
mas esquecem que só Tu lhes podes dar.

E a culpa de tudo isto ser assim… é também minha
que alinho nesta maneira pouco cristã de celebrar o teu nascimento.

Se desta vez eu der mais a quem tem menos
e comprar menos para quem já tem quase tudo…
se em vez de me cansar a correr de loja em loja
guardar esse tempo para parar diante de Ti…

Se neste Natal fores mesmo Tu a razão da minha festa…
as luzes e os cantos, o peru e as rabanadas, os presentes e a até o Pai Natal
me falarão de Ti e desse gesto infinito do Teu Amor
de teres vindo ao meu encontro nessa noite Santa do Teu Natal.

Tuesday, December 2, 2008

A Igreja tem uma "boa notícia": Deus dá-nos o seu tempo

Começamos hoje, com o primeiro domingo do Advento, um novo ano litúrgico. Este facto convida-nos a reflectir sobre a dimensão do tempo, que sempre exerce sobre nós um grande fascínio. Seguindo o exemplo daquilo que Jesus gostava de fazer, desejo começar com uma constatação muito concreta: todos dizemos "não tenho tempo", pois o ritmo da vida quotidiana tornou-se frenético para todos.

Também neste sentido a Igreja tem uma "boa notícia" para dar: Deus dá-nos o seu tempo. Nós temos sempre pouco tempo, especialmente para o Senhor, não sabemos ou não queremos encontrar esse tempo. Pois bem, Deus tem tempo para nós! Esta é a primeira coisa que o início de um ano litúrgico nos faz redescobrir com uma emoção sempre nova.

Sim, Deus dá-nos o seu tempo, pois entrou na história com a sua palavra e as suas obras de salvação para a abrir à eternidade, para convertê-la em história de aliança. Nesta perspectiva, o tempo já é em si mesmo um sinal fundamental do amor de Deus: um dom que o homem, tal como acontece com outras coisas, é capaz de valorizar ou, pelo contrário, de desperdiçar; de acolher o seu significado, ou de descuidar com superficialidade obtusa.

Ângelus no primeiro domingo do Advento
30 Novembro 2008 (ZENIT.org)


Wednesday, November 26, 2008

Tuesday, November 18, 2008

Novo livro do Padre Dário Pedroso

Apresentação do novo livro

Padre Dário Pedroso
sobre o Advento e o Natal

"Vem aí o Amor"

Próxima 6ª feira, dia 21, às 19h00

Coffee Shop Alessandro Nannini

Na Baixa de Lisboa

Rua Nova do Almada, 14
(esquina com a Rua da Conceição)

Monday, November 10, 2008

Eutanásia: afinal de que falamos?

Eutanásia: afinal de que falamos?
Isabel Galriça Neto
In Público 09.11.2008

Para alguns a eutanásia é a resposta correcta para o sofrimento insuportável das pessoas que, tendo doenças incuráveis e numa fase final da sua vida, entendem não querer continuar a viver.
A eutanásia inclui sempre o acto de provocar a morte numa pessoa gravemente doente, no fim da sua vida, e a pedido desta. Os seus defensores dizem que é uma resposta a reservar apenas para situações excepcionais.

A eutanásia não é a recusa de tratamentos desproporcionados, ditos fúteis, e a eutanásia não é a suspensão desse tratamentos. Com efeito, a recusa ou suspensão de tratamentos desproporcionados é uma boa prática médica, já recomendada e aprovada recentemente em código deontológico. A eutanásia também não é a adminsitração de medicamentos opióides e sedativos, quando a intenção é aliviar o sofrimento. Por outro lado, é inútil associar a eutanásia a vagos conceitos como "morte assistida", "morte digna", "boa morte serena", pois isso só contribui para confundir a opinião pública, com expressões que são tópicos sentimentais e susceptíveis de aludir a muitas outras actuações, de âmbito e natureza diferente da da eutanásia. A realidade do sofrimento em fim de vida preocupa e assusta, e isso é natural e compreensível. Todos queremos garantir para o final dos nossos dias a tranquilidade de um tempo sem dores, sem mal-estar, e encerrar serenamente a nossa vida, em paz connosco, com o mundo e com os que nos são queridos.

Os que trabalhamos com doentes em fim de vida e seus familiares sabemos que a larga maioria nos diz: "Eu não tenho medo de morrer, tenho é medo de sofrer!" As pessoas querem habitualmente viver, viver com dignidade, e só um sofrimento insuportável as fará desejar morrer, e mais, as fará desejar que as matem.

Os portugueses precisam saber que têm hoje uma resposta técnica e humanizada da medicina para essas situações de sofrimento e que se chama "cuidados paliativos". Estes cuidados de saúde, prestados por equipas de profissionais e voluntários devidamente especializados, promovem a qualidade de vida e a dignidade, respeitam a vida (não a encurtam) mas também respeitam a inevitabilidade da morte (e por isso não prolongam artificialmente a vida).

Isto é: no mundo actual e moderno, a medicina tem meios para mitigar o sofrimento humano, não o deixando tornar-se intolerável, e sem manter as pessoas vivas a qualquer custo. Esta é uma resposta não para casos excepcionais, mas "a" primeira resposta nos cuidados de saúde para os que têm doenças graves e incuráveis, que pode e deve ser prestada muito antes dos últimos dias de vida. Se não houver acesso e, sobretudo, se não houver informação sobre cuidados paliativos, a escolha sobre o que queremos para o fim dos nossos dias será feita de forma imperfeita e deturpada, sem estar na posse dos mais recentes dados sobre a matéria. Não se trata de contrapor a "alternativa cuidados paliativos" à "alternativa eutanásia": qualquer que seja a nossa posição sobre a eutanásia, todos devemos ter acesso aos cuidados paliativos. Demos aos cuidados paliativos, enquanto direito humano, o lugar universal que lhes está reservado.

Um recente estudo pioneiro, de representatividade nacional, promovido pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (ver www.apcp.com.pt), demonstra que 2/3 dos portugueses desconhece a existência e as práticas dos cuidados paliativos. Curiosamente, nesse mesmo estudo, nos indivíduos inquiridos - que representavam a realidade nacional -, 50% dos que se assumiam a favor da eutanásia diziam que mudariam essa posição, se tivessem a garantia de que a medicina não os deixaria em sofrimento intolerável. Estes factos revelam um nível de desinformação preocupante e justificam, por si só, mais e melhor informação para os portugueses sobre estas matérias.

Só pode haver debate sobre um tema se houver conhecimento alargado sobre ele. Importa, pois, colocar toda a informação disponível ao serviço do público, com rigor e verdade, evitando abordagens sensasionalistas. A importância do tema nas nossas vidas, o respeito pelos mais vulneráveis e, sobretudo, o respeito pela opinião pública e o dever de a informar justificam-no.
Oxalá possamos assistir a essa mudança.


Isabel Galriça Neto
médica de Cuidados Paliativos;
directora da Unidade de CP Hospital da Luz; assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa

Friday, October 31, 2008

Noite de Oração pelos doentes (terço)

Como tem vindo a acontecer, reunimo-nos na Capela do Rato em Lisboa, todas as primeiras terças feiras, para rezar pelos doentes.

Assim, a próxima terça continuamos...

Dia 4 Novembro, Terça Feira - 21.30h.

Capela do Rato noite de oração pelos doentes (terço)

Porque rezar é uma arma forte...

Passem a mensagem, não tenho todos os emails. Beijos e até lá.

Tomaz da Camara

Friday, October 17, 2008

Afinal o que é o Halloween?

http://www.acidigital.com/controversia/halloween.htm

Halloween significa "All hallow's eve", palavra que provém do inglês antigo, e que significa "véspera de todos os santos", já que se refere à noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos.

Entretanto, um antigo costume anglo-saxão roubou-lhe o seu estrito sentido religioso para celebrar em seu lugar a noite do terror, das bruxas e dos fantasmas. Halloween marca um regresso ao antigo paganismo.

A FESTA DE TODOS OS SANTOS
Entretanto, para os crentes é a festa de todos os Santos a que verdadeiramente tem relevância e reflecte a fé no futuro para quem espera e vive segundo o Evangelho pregado por Jesus. O respeito aos restos mortais de quem morreu na fé e a sua lembrança, inscreve-se na veneração de quem foi "templos do Espírito Santo".

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por São Odilon, monge beneditino e quinto Abade de Cluny na França em 31 de outubro do ano 998. Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "São Odilon desejou exortar a seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade de Cluny começou a estender-se o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que São Odilon chamou de Festa dos Mortos, prática ainda hoje em vigor na Igreja universal".

Thursday, October 16, 2008

Presidente reza o terço com ministros (... na Colômbia)

Desde há meses, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reza o terço com os ministros uma vez por semana. Quando um dos bispos o felicitou pelo resgate de Ingrid Betancourt e aludiu a esse facto, Uribe respondeu: "uma vez por semana rezo o terço com os ministros, mas pessoalmente estou a rezar o terço todos os dias".

Ingrid Betancourt também falou da sua profunda devoção ao terço, e do apoio que encontrou na fé durante os seis anos de cativeiro. Leva no pulso um terço de cânhamo e botões que ela mesma confeccionou. A primeira coisa que fez no dia da libertação, às quatro da manhã, foi rezar o terço.

No aeroporto, Uribe pediu ao capelão que rezasse três ave-marias e fizesse uma oração de acção de graças. Imediatamente, Ingrid ajoelhou-se; os filhos imitaram-na e alguns dos libertados.

Álvaro Uribe também se uniu à celebração do centenário da Conferência Episcopal Colombiana, e atribuiu-lhe a máxima condecoração do país: a Cruz de Boyacá. Fê-lo em reconhecimento pela acção apostólica e pelo seu contributo para promover os valores éticos e morais na sociedade colombiana.

Fonte: Revista "Palabra", Agosto-Setembro 2008, p. 20.

Friday, October 3, 2008

Quero ser um Televisor

Uma professora do ensino básico pediu aos alunos que fizessem uma redacção sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.

Ao fim da tarde, quando corrigia as redacções, leu uma que a deixou muito emocionada. O marido, que, nesse momento, acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou
- O que é que aconteceu?' Ela respondeu:
- Lê isto. Era a redacção de um aluno.
Senhor, esta noite peço-te algo especial: " transforma-me num televisor.
Quero ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa.
Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta...
Ser levado a sério quando falo...
Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona.
E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.
E ainda, que os meus irmãos lutem e batam para estar comigo.
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...
Só quero viver o que vive qualquer televisor.
Naquele momento, o marido de Ana Maria disse:
- 'Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais'!
E ela olhou-o e respondeu: - 'Essa redacção é do nosso filho'

Sunday, September 28, 2008

Thursday, September 25, 2008

Carta da Teresa Olazabal

OLÁ LISBOA, DAQUI PORTO!

Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo tende piedade de nós, Senhor tende piedade de nós. Jesus Cristo ouvi-nos, Jesus Cristo atendei-nos, Pai do Céu que sois Deus, tende piedade de nós, Filho Redentor do Mundo que sois Deus, tende piedade de nós, Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós, Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens, Mãe de Jesus Cristo, Mãe da Divina Graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima, Mãe Imaculada, Mãe intacta, Mãe amável, Mãe admirável, Mãe do Bom Conselho, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Mãe da igreja, Virgem prudentíssima, Virgem venerável, Virgem louvável, Virgem poderosa, Virgem benigna, Virgem Fiel, Espelho de Justiça, Sede da Sabedoria, Causa da nossa Alegria, Vaso espiritual, Vaso Honorífico, Vaso Insigne de devoção, Rosa Mística, Torre de David, Torre de Marfim, Casa de Ouro, Arca da Aliança, Porta do Céu, Estrela da Manhã, Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos, Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de todos os Santos, Rainha concebida sem pecado original, Rainha elevada ao Céu pelos anjos, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Família, Rainha da Paz.

ROGAI POR NÓS! ROGAI POR NÓS! ROGAI POR NÓS! ROGAI POR NÓS!

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor; Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor; Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.


Obrigada Zé Pedro pelo teu amor e pela tua transparência, pelas caminhadas que fizemos juntos, pelas orações que me ensinaste, pela alegria e pelas brincadeiras, pela tua simplicidade e pela tua santidade, pelo teu sorriso malandro e pela tua enorme humildade, obrigada por seres esse eterno menino. Tenho pena de às vezes te ter achado “simples” à moda do mundo, e não ter alcançado a grandeza da tua simplicidade à moda de Deus. Agora que já percebi, imagino-te num sítio de Paz – um mar imenso de luz e beleza reservado aos “bem aventurados” tão queridos de Deus, a quem é dado o privilégio de, por terem exactamente como tu um coração simples, poderem estar já com Ele. Vejo-te à procura de Nossa Senhora por todo o lado, atirando-lhe apaixonadamente este monte de piropos a cantar ou a rezar. Foi porque entraste na minha vida que lhos rezo também todos os dias, numa maravilhosa oração! Foste muito importante: para a nossa peregrinação, para a tua família, para o mundo e para mim. Foi muito bom ter-te.

Aí no Céu não te esqueças de mim, como eu não me esqueço de ti aqui na terra.

Teresa Brito e Cunha Olazabal

Wednesday, September 24, 2008

Poema do Menino Jesus





O guardador de rebanhos

Fernando Pessoa
(Alberto Caeiro)

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.


Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.


Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Thursday, September 18, 2008

Fotos Peregrinação 2007 e 2008



Queridos Peregrinos,
Aqui estão dois albuns online com imagens da Peregrinação de 2008 e 2007 em dois links:

ESTE
http://picasaweb.google.pt/joana.fontes/PeregrinaOII?authkey=Q-JX2PcxJxI#

E ESTE
http://picasaweb.google.pt/joana.fonte/DOESTORILAFTIMA?authkey=8ZPER6JlvPE#

Fotos tiradas e cedidas pela peregrina Susana Pinto. Obrigada Susana!

Friday, September 12, 2008

SAUDADES, SAUDADES OUTRA VEZ

PEREGRINAÇÃO A PÉ A FATIMA ( Maio 2008 )

Já escrevi sobre as saudades, ter saudades mas, é isso mesmo: saudades

( Só se tem saudades quando se gosta )

Saudades de tudo

É vago mas é isso mesmo

Saudades de tudo

Saudades das pessoas

Saudades das missas

Saudades das reuniões / palestras da Tia Gena. As vezes não estou de acordo mas curiosamente penso sempre que são palavras sabias e que o defeito é meu. Penso que a Tia Gena fala com poucas palavras privilegio que só esta ao alcance de poucos. Dizer muitas coisas durante muito tempo é fácil. Só dizer o sumo é que é difícil. É para poucos

Saudades das reuniões / palestras como a do Pe. Hugo Santos no CNEMA ( Santarém )

( As vezes com a minha mania da organização penso: Estão vários Padres presentes podia-se dar um mesmo tema e cada Padre ou “ Sacristão “ falava 15 ou 20 m. Tínhamos uma reunião mais rica, mais interessante com vários pontos de vista sobre o mesmo tema. ( Talvez fosse mais difícil para os Padres )

Saudades do dormir pouco

Saudades do fazer / desfazer o saco cama

Nunca o fiz mas em dias complicados e noites compridas já me lembrei de ir dormir no saco cama

Saudades

Tenho saudades

Tenho saudades da peregrinação

Da nossa

Conheço outras

Já fiz outras

Mas tenho saudades

Da nossa

De tudo

Tudo é vago

Mas é tudo

Tudo é tudo

Não há mais nem menos. É tudo

Das missas. São todas boas mas algumas deixam mais marcas que outras. A do Gaio é especial. Lembro-me duma missa “ incrível “ com o Pe. Bosco e o Pe. Zeca a fazerem a homilia a meias, em dueto, parecia combinado

Dos cânticos

De conhecer todas as pessoas presentes

De entrar numa Igreja e conhecer toda a gente

Das caminhadas em silencio

Caminhar em silencio rodeado de amigos é fantástico. Cada um reza o que quiser. Cada um pensa o que quiser mas estamos todos ali. Todos juntos. E isso dá uma força e uma confiança enormes

Do caminhar a rezar, a cantar

Do caminhar a ouvir outros a rezar

Do caminhar a ouvir outros cantar

Caminhar pelo campo a rezar um terço cantado é tão bonito. Só tenho isto uma vez por ano. Aqui. Só tenho terços cantados pelo José Manuel Simões de Almeida ou pelo José Pedro Rhodes Sérgio aqui

Este texto já esta escrito algum tempo e acabei de saber que o meu amigo José Pedro Rhodes Sergio morreu. Ainda ontem tinha estado a cumprir as suas obrigações de Servita nas cerimonias de Fátima. Morreu um homem bom. Perdi um amigo e agora só volto a ouvir a sua voz a cantar um terço no céu

Por quê ?

Esta Avé Maria é para ti Zé Pedro

Por acaso ainda ontem dia 13 de Julho na reunião do Passo a Passo me lembrei dele quando ouvi o coro

É. Desta não estava a espera. Penso que ninguém estaria a espera. Ele era amigo de toda a gente

Texto estranho este, estou infelizmente a escreve-lo aos bocados, infelizmente

Estou a regressar do teu velório, coisa estranha, coisa incrível apesar da morte ser a coisa mais certa e natural

Alguém no seu depoimento durante a tua missa disse uma das tuas frases que eu desconhecia

“ Um homem de fé não chora “

Vou pensar nela

Vou tentar acreditar nela

Depois falamos

Um grande abraço Zé Pedro

Perdi um amigo

Continua a cantar, vamos falando

Agora Zé Manel Simões de Almeida tens que cantar por dois

Das reuniões com ideias novas

A reunião do dia 13 em Fátima foi boa. Teve um defeito devia ter sido mais comprida mas, também tinha que acabar em algum momento

Dos pequenos almoços, dos almoços, dos jantares

Do parar no caminho para ver uma longa fila de peregrinos, de amigos, a passar

De ouvir o Sopas cantar os Bem Aventurados

Do pensar sozinho rodeado de amigos

Do pensar em conjunto

Do dizer obrigado no fim de rezar um terço em conjunto pelas estradas, pelos campos

Para além dos aspectos de educação é tão bonito acabar um terço a dizer obrigado para as outras pessoas que rezaram comigo. Só aqui

Do sentar no chão

Do sentar no chão a rezar um terço

As vezes penso ao longo do ano: Há quanto tempo não te sentas no chão ?

Do almoçar sentado no chão uma comida óptima

Do dormir num saco cama no meio dum pavilhão desportivo

Só aqui durmo dentro duma baliza de futebol de salão com as toalhas de dez peregrinos penduradas nas redes para “ tentar “ seca-las um pouco. É Alfama no seu melhor. Depois do primeiro banho em Vila Franca passamos a transportar e a secar-nos com uma toalha molhada. Mas ninguém se queixa

Dos duches. Grandes banhos de humanidade, de amizade, se tomam nestes duches

Até das bolhas nos pés tenho saudades ( representam muitas coisas )

Grande lição de humildade nos dá o nosso especialista Fernando Costa que esta sempre pronto a tratar os pés dos peregrinos. Eu já o vi deitar-se tarde, levantar-se cedo para tratar dos pés dos peregrinos. Só aqui

Por mais preparados

Por mais experiência que tenhamos há sempre imprevistos, novidades ...

É para quem percebe

Ir a pé a Fátima não é uma prova de atletismo

Para ir a pé a Fátima é preciso ter humildade e coragem ou coragem e humildade. Quem pensar: Eu faço muito desporto não me vai custar nada caminhar até Fátima esta completamente enganado. Eu fui um dos “ inteligentes “ que disse isto a primeira vez que fui e bem me enganei. Conheço vários valentes que não tem a humildade para ir a pé a Fátima, são só valentes, é pouco. Fé cada um tem a sua ( não sei como se mede, pesa ou compara ), sempre duvidei dos que dizem que não acreditam em nada. Sempre pensei que uma pessoa que não acredita em nada é uma espécie duma vassoura ou dum pacote de batatas fritas

Acredito nos que tem duvidas, muitas duvidas mas não acredito nos que dizem que não acreditam em nada. Também não acredito nos que dizem que não tem duvidas. Nunca acreditei

Também nunca acreditei nos que tem muita fé, os chamados beatos, beatas. É uma espécie de: duvidar dos bons e dos maus. Sobretudo dos que estão sempre a dizer que sim com a cabeça numa replica ao movimento das vacas na manjedoura estão sempre a dizer que sim com a cabeça

Do que mais me irrita nos beatos / beatas é da sua falta de humildade, estão sempre na auto promoção, auto evidencia, auto publicidade. Não gosto

Gosto das pessoas que tem opinião e que se sujam com a sua opinião. Das pessoas tipo rolha que estão sempre bem, que estão sempre a flutuar, não gosto. Simplesmente porque não me inspiram confiança

É. Admiro um adversário forte e corajoso que luta lealmente pelas suas ideias e desprezo um: sim senhor permanente

Das paragens. Não é só o descanso é também o convívio, os olhares

Grandes paragens, grandes conversas a sombra, ao sol, as vezes a chuva

Na véspera da partida ( na entrega dos sacos ) já partimos, contam-se as horas para a manhã seguinte

Ponho o despertador mas acordo sempre antes da hora e saio de casa a pé

E vou andando

A partida de Sacavém ainda é Lisboa, um bairro feio mas, ainda é Lisboa mas a medida que vamos andando Lisboa vai ficando mais longe e estamos a pé e vamos a caminho de Fátima e é óptimo

Vamos saindo da Igreja de Sacavém, só há peregrinos e vamos para a estrada. Começa a fila indiana. Agora começou mesmo ! Já vi pessoas chegarem tarde a partida mas nunca vi ninguém desistir

LISBOA - VILA FRANCA é o pior percurso, é feio, é perigoso, é muito barulhento e cheira mal mas já vamos a caminho de Fátima e é a única coisa boa porque tenho muita dificuldade em desligar em rezar

O quartel da Marinha em Vila Franca é óptimo. A missa, o jantar, a reunião, o dormir num beliche

Uma vez, quando dormíamos nos Bombeiros de Vila Franca tomei um duche com o Guilherme Santa Rita na casa de banho das oficinas dos Bombeiros rodeado de porcas e parafusos deslizando encima de óleo queimado memorável. Ainda hoje recordo com saudades este banho, o que rimos, o que rezamos. Só aqui

E lembro-me de ver o Guilherme Santa Rita a fazer da sua peregrinação uma verdadeira “ caminhada “ a passo de caracol para ajudar, amparar, acompanhar a Madre S. João a chegar a Fátima, porque todos os que partem tem que chegar. Só aqui

Depois é bom, VILA FRANCA - AZAMBUJA andamos pelo campo, rezamos pelo campo, cantamos pelo campo

A concentração matinal das tropas a porta do Lidl de Vila Franca é engraçada. No meio do parking há a oração matinal. Só aqui

Uma vez no Pavilhão onde dormíamos o Pe. Fábio dormiu connosco, mais um, mais um saco cama e ás 5 h. acordei-o e disse-lhe: Se quer tomar banho quente é agora ! E tomou e voltou para a saco cama. Só aqui

No 3. dia temos a celebre tirada AZAMBUJA - SANTARÉM. Celebre porque temos uma celebre missa e almoço na Quinta do Gaio. Mais do que celebre é lindo. A tirada de silencio a seguir ao almoço é memorável, sempre a subir, sempre a pensar. Dormimos no CNEMA e tomamos banho ou nos lavatórios do CNEMA ou nas Piscinas Novas de Santarém ( podemos escolher ). É um luxo

Voltar ao CNEMA durante uma feira qualquer ir a casa de banho e não ver ninguém a fazer a barba é uma sensação estranha

Voltar ao CNEMA durante uma feira qualquer e não ver ninguém de pijama nos corredores é uma sensação estranha

Voltar ao CNEMA durante uma feira qualquer entrar nas casas de banho e recordar: já dormi aqui e o Duarte Pereira Henriques acordou-me porque eu estava a dormir nas casas de banho e ele estava a fazer a barba e a cantar as 6 h. uma musica alentejana em honra de Nossa Senhora. Só aqui

A seguir vem outro dia histórico, outro percurso lindo, um almoço fantástico no Jardim da Ribeira de Santarém e uma missa ao fim da tarde num enquadramento digno de filme na Quinta do Castilho, segue-se um jantar e as vezes a fados ( tarde ) para os profissionais das horas altas

No dia seguinte ( 5. dia ) já cheira muito a Fátima é o último jantar, é a última dormida parece que andamos mais depressa : QUINTA DO CASTILHO - ALCANENA, e antes da missa temos um banho com muita agua nas Piscinas. A dormida é em grande no Pavilhão Desportivo. Já passei num dia qualquer por este Pavilhão parei a porta e comecei a imaginar 100 pessoas a jantarem e a dormirem lá dentro e fiquei com uma sensação de tristeza e nostalgia. Pensar eu jantei aqui, eu dormi aqui rodeado de amigos e agora não ver ninguém é triste

Ao longo do ano faço varias vezes de carro percursos que nos fazemos a pé, e vou recordando. Vejo paragens vazias onde nos paramos, onde vejo pequenos grupos acabar de rezar os seus terços, onde eu me sentei no chão, vejo muros onde me encostei, até vejo as bolachinhas que comemos, as aguas que bebemos mas, esta tudo vazio e é triste

E finalmente chega o ultimo dia: ALCANENA - FÁTIMA. Não é um fim é um principio. É um recomeçar com mais calma e confiança

Tudo isto e muito, muito mais é para quem fez. O contar é difícil. O explicar ainda mais difícil

Há tantas coisas que só fazem sentido aqui

Há tantas coisas que só faço aqui

Há tantas coisas, umas serias, umas de brincadeira que só faço aqui, que só tem sentido aqui

É uma semana magica

É uma semana em que vou andando

É uma semana que vou recordando ao longo do ano

É uma semana que as vezes tento explicar mas, não é para explicar é para fazer

Vou andando

Vou descarregando

Vou resolvendo ou tentando

Vou pensando em coisas

Vou acreditando em coisas

Vou criticando coisas

Vou chegando. Vou partindo. Vou ficando

Talvez se criticasse menos chegasse mais depressa, muito mais depressa. Vou demorar mais tempo a chegar

Mas vou chegar

Vou rezando

Sempre fui um bocado contra os terços, sempre pensei que era rezar com a ajuda duma maquina de calcular mas, devagar, muito devagar, vou entendendo o terço, as contas.

Muitas vezes rezo sem ordem. Rezo como sai e penso no estômago tudo se mistura isto é um pouco parecido. Faço isto no transito a guiar. Faço isto a andar pelas ruas. Faço isto em tantos sítios. Vou rezando sem contas. É como sai mas por vezes penso que não estou sozinho. Como diz o Luís Barahona de Lemos também inventei o meu truque para rezar: coloquei uma dezena junto com as chaves do carro

Tenho um amigo meu que corre e reza ao mesmo tempo. 3 km são um terço

A tempos a correr a ponte 25 de Abril perguntei-lhe: Quanto falta ?

Já foram 2 terços faltam 2 kms

Perfeito !

Tenho saudades de curtir a amizade, a companhia, as ideias dos outros

Tenho saudades dos olhares dos outros

Tenho saudades das mochilas dos outros

Chego a ter saudades dos andares característicos de alguns peregrinos

Tenho saudades de entrar num café e ver cadeiras com mochilas

Quando ao longo do ano oiço o barulho dum saco plástico lembro-me da caminhada

Quando ao longo do ano vejo alguém com uma mochila as costas, penso este vai para Fátima ? As vezes até penso na brincadeira que vai na direcção errada e é um ilustre turista

Tenho saudades das Avé Marias que cantamos todos juntos em forma de agradecimento as pessoas que nos deram de comer e de beber

Há muitas coisas que para mim já não são novidade mas é sempre bom reve-las, refaze-las

É um recomeçar permanente

É um melhorar

Um querer melhor

Um repetir o bom

Um tentar não repetir o mau

Há coisas que não entendo

Há coisas com as quais não concordo

Há coisas que sou contra

Mas há muitas que concordo

Vou andando

E o andar é todos os dias

E sempre que vejo, encontro um peregrino, é um peregrinar de novo. É uma espécie de partir para Fátima

E sempre que encontro alguém que levo o andor comigo é uma relação muito especial Acredito que todos ficam marcados e que sem dizer palavras existe uma relação que vai para além das palavras. As vezes falamos sobre o assunto e há quem fique com os olhos molhados ao relembrar aqueles minutos. É para quem fez apesar que muitas vezes penso que não merecia levar o andor

Já levei varias vezes o andor. Mas, carregar o andor no dia 12 de Maio a noite com um grupo de amigos deixa marcas para a vida

Há coisas que nunca mais se esquecem

Ter a oportunidade de ver a multidão de pessoas e a multidão de velas aceças dum local alto é um autentico privilegio

Aquela Avé Maria que rezamos abraçados a fazer uma roda quando já estamos em formatura a espera do andor é óptima. Cada um tem direito a dizer uma intenção e no fim rezamos um Pai Nosso e depois ficamos em silencio, cada um com os seus pensamentos, intenções e orações a espera do andor

O bom que é ver a fila de Padres a desfilar a nossa frente e quando aparece algum Padre que nos conhece faz-nos um sorriso e dá uma benção ao grupo

Já ouvi Servitas a dizerem: Vocês são uns sortudos eu nunca levei o andor. Eu sei. Nos sabemos.

É muito difícil de explicar a sensação de agarrar no andor, de entrar para debaixo do andor. E quando acabamos parece que voamos. É para quem fez

Guardo “ religiosamente “ a minha caixa com as coisas de Fátima: roupas, acessorios, truques

São necessárias só uma vez por ano. Mas essa vez é muito importante

Todos os anos faço o meu saco com mais técnica: menos coisas e só coisas polivalentes

É

É bom peregrinar. É indispensável hoje para mim

Não troco a semana de Fátima por nenhumas ferias em nenhuma parte do mundo

Desligar é óptimo

Entrar noutro mundo, noutras conversas, noutros valores, noutras preocupações

É bom deitar rodeado de amigos

É bom acordar rodeado de amigos

Os laços de amizade, de solidariedade, de preocupação de todos com todos é lindo. Devia ser assim todos os dias. Devia mas não é infelizmente

É bom rezar um terço a meio noite deitado num saco cama com o Felipe Camejo. Só aqui

O chão pode estar sujo mas aqui não tem importância

Os colchões podem estar sujos, cheios de pó mas aqui não tem importância

Só aqui até uma ficha tripla se partilha, se divide

Já ouvi: Eu acordo a meio da noite tiro o meu e ponho o seu telemóvel a carregar

Só aqui

Só aqui

O chegar a Fátima

O chegar a Fátima, sujos, suados, cansados todos juntos é para quem fez

O entrar em Fátima, muitos ( este ano éramos 270 ), todos juntos, em silencio é óptimo Todos pensam: chegamos e todos pensam no presente, no amanhã com mais fé. É só para quem fez

O terço em frente a Capelinha a chegada é só para quem fez. Os amigos, os parentes podem ver mas não tem nada a ver

Os que entram, desfilam com o Grupo na entrada a Fátima e não andarem a pé durante uma semana, podem entrar com o Grupo mas não tem nada a ver. É só para quem fez. É como acompanhar o João Garcia que subiu o Evereste nos últimos 50 m da descida

É uma semana onde tudo se mistura o antes, o durante, o depois

Quando vejo a placa de transito a dizer Fátima penso acabou e tenho pena

Já sei que posso, podemos peregrinar todos os dias mas é diferente. Não tem nada a ver

E vamos repetindo

Fátima. A Peregrinação a Fátima esta cheia de recordações, de momentos únicos que não se repetem porque um momento único é único, pode haver outro parecido, mas é outro

É por isso que cada vez que vou a Fátima gosto de entrar devagar no recinto pela nossa porta, olhar para a Capelinha e recordar

Situações que me fazem rir, situações que me fazem chorar, situações que me fazem pensar, situações que me fazem crescer na minha fé apesar de tantas contradições que tenho na minha cabeça, apesar de tantas revoltas que tenho e me tiram a calma, apesar de tantas coisas que não entendo, que não concordo e me irritam no meu dia a dia

Vou andando

Parar é morrer

Vou andar até morrer

Tenho a impressão que nunca vou ficar quieto, sossegado, em paz a concordar com o que vejo

As vezes digo: Alguém tem que ser do contra. Sou eu

Não é uma posição fácil. Sei que é radical. Tudo ou nada. Vitoria ou derrota. Sei que pensando assim compro muitas guerras. O pior é que muitas vezes no meio é que esta a virtude ...

Como escrevo muitas vezes:

É

Ainda tenho que ir muitas vezes a Fátima

Sei que estou melhor mas ainda tenho muito, muito, muito chão para pisar, para perceber, acreditar na diferença da pergunta Em vez de perguntar: Por quê ? Perguntar: Para quê ? Não é uma questão de gramática ou de brincar com as palavras. É para pensar. Mas ainda não a aceito sobretudo quando vejo doentes. Se sou Voluntário no IPO é graças a Tia Gena e ao Passo a Passo, temos uma equipa fantástica o Zé Manel Capelo, Mário Freitas, Manuel Guedes de Sousa, Luís Barahona de Lemos, Mingas Fezas Vital, Fernando Costa. Já consigo rezar em frente a um doente mas pergunto sempre: Por quê ? Quando vejo / oiço muitas coisas.

E muitas vezes, talvez num acto de enorme rebeldia pergunto / peço: Leva este gajo ou põe-no a jogar futebol. É. É verdade

Obrigado Tia Gena. Um beijo

Até pro ano !

Julho 2008

Tomás Moreno

PS. Não inventei regras de ortografia, simplesmente não coloquei de propósito “ pontos finais “, porque não há pontos finais, é para continuar

Thursday, August 14, 2008

Carta do Padre Dário



Caro José Pedro

Quando Deus Se dignou chamar-te para Ele, à sua divina presença, foi tudo tão rápido, tão surpreendente…Ficámos com tanta saudade tua… Não pude estar no teu funeral nem na Missa de 7º dia. Agora, que me convidaram com insistência para estar na nossa reunião do Estoril hoje, dia 13, para celebrar contigo e com os nossos queridos peregrinos, a tua festa já no Céu, com a Mãe, a Senhora de Fátima a quem tu tanto amavas, não posso, estou longe a dar um Retiro.

Mas afinal neste mês tu estiveste sempre muito presente em mim, na minha oração e no meu coração de amigo e irmão. Fiquei a saborear durante este mês, em que tu estás em Deus, no Céu, as grandes lições da tua vida. Tem-me feito muito bem.

Agradeço o teu amor a Jesus e a Maria, o teu modo sempre fogoso e fervoroso de rezar e cantares. A tua voz, a cantar o terço nas nossas peregrinações, ainda está nos meus ouvidos. Obrigado José Pedro

Obrigado também pelo teu grande coração. Tu parecias, com teu sorriso delicado e simpático, com o teu modo simples e humilde de te dares e de servires, seres só coração, ternura e bondade. Um coração grande onde cabíamos todos. Obrigado.

Obrigado também pelo modo simples e humilde, sem queixumes nem lamentações, como levavas a tua cruz, sobretudo a cruz da tua doença e da tua fragilidade. Às vezes eras heróico na humildade em aceitar tanta humilhação. Eras grande, muito grande. Os pequenos e os humildes, os que sofrem em silêncio com Jesus, são sempre muito grandes. E tu, Zé Pedro, na aceitação da tua limitação foste muito grande, um pequeno gigante.

Lembras-te José Pedro, de um dia, me chamares à parte, e com muita caridade e humildade de teres feito aquela correcção fraterna? Senti que era Deus, através da delicadeza da tua correcção, a corrigir-me, a mandar-me um recado do céu. Foste veículo, instrumento a sua Palavra e do seu Amor. Quanto te agradeço… Nem sabes o bem que me fizeste.

Unido a todos, neste trigésimo dia, unido sobretudo à Mãe neste dia 13, quero louvar a Deus por tudo o que tu foste no meio de nós. E quero pedir-te perdão, talvez porque muitos de nós, nem sempre percebermos o teu jeito evangélico de servir, de rezar e de amar. Passastes fazendo o bem, mas nós nem sempre nos demos conta disso. Foi essa, muitas vezes, a experiência dos santos.

Reza por nós. Mete-nos no Coração Imaculado de Maria.

Teu irmão. Dário

Mais fotos aqui

Monday, July 21, 2008

“HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE NOS FAZ FALTA.....AI SAUDADE!



...“HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE NOS FAZ FALTA.....AI!!! SAUDADE!!!”

Como canta o poeta é um testemunho de uma enorme saudade que aqui partilho...

Apesar de tudo o que já sei, ouço e compreendo, mesmo o sermão do Padre João Seabra, não consigo deixar de sentir uma saudade que dói, que me faz ficar triste, muito triste...porque é muito grande!

Agradeço a Deus o ter “tropeçado” em ti Zé Pedro e, poder ser uma privilegiada em te ter como amigo:

Obrigada por todas as vezes que me deste a mão para eu estar mais perto de Nosso Senhor, que rezámos juntos, que cantámos juntos, que em comunhão rezámos a “tua” ladainha...que conversámos, tanto.

Obrigada por toda a cumplicidade que conseguimos no “piscar de olho”, no sorriso que me fazias, no “então filha? O que tens feito? com aquele sotaque muito teu...no abraçinho sempre que nos encontrávamos.

Na Terra Santa descobri como é fácil, à tua maneira amar a Deus, viver intimamente uma relação de entrega que quando estamos com ELE não vemos mais ninguém, não ouvimos mais nada e o nosso coração salta. Mesmo, mesmo muito apaixonados!!

Já tinha sido uma “tua” aprendiz no Presépio da Cidade quando animámos a Tenda da Oração ali no Terreiro do Paço, e de como é fácil ser feliz!! AMANDO A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E UNS AOS OUTROS COMO ELE NOS AMOU!!

Eu sei que és muito meu amigo e, eu também sou muito tua amiga! que bom ter guardado lugar junto a mim em tantos almoços a caminho de Maria, ter posto creme naquela “careca” queimada pelo sol, ter partilhado tantos afectos por tantos que nos são tão queridos...e, poder descobrir que fácil é pôr Nosso Senhor no centro das nossas vidas e, Maria ser a nossa grande referência, estruturante do nosso comportamento.


O teu “truque” reside na oração, na simplicidade, no respeito pelos outros, no grande amor a Nosso Senhor...e o que te dá todo esse teu grande protagonismo!

Choro por dentro e por fora!! E, mesmo sabendo que tenho uma grande “cunha” nos CÉUS não consigo imaginar os 13 sem ti, caminhar para Maria sem ti ao lado, não ser acolhida por ti em Fátima, não partilharmos as conversas e os silêncios.

Constantemente, vem ao meu pensamento o Monte Tabor: e, Zé Pedro, tu és com certeza um filho muito amado!!

Meu querido, Meu velho, Meu amigo...(era assim que eu te cantava sempre que nos encontrávamos) até ao Céu!!

E,quando ouvires alguém chamar Sérgio vais saber de certeza que sou eu!

Tareca Villas

Friday, July 18, 2008

Deus chamou o Zé Pedro Rhodes Sérgio



Vamos ter saudades. Quis Deus que fosse o Zé Pedro a entregar os nossos recados a Nossa Senhora no dia 13 de Maio de 2006.

Ladainha de Nossa Senhora
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe Imaculada,
Mãe intemerata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso digno de honra,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de David,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Rainha dos Anjos,
Rainha dos Patriarcas,
Rainha dos Profetas,
Rainha dos Apóstolos,
Rainha dos Mártires,
Rainha dos Confessores,
Rainha das Virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da Paz,
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V/ Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R/ Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos Vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da tristeza do século e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Sunday, May 25, 2008

Thursday, May 15, 2008

Aceitam-se contributos

Como sabem, devem existir, literalmente, milhares de fotos da nossa querida Peregrinação deste ano, bem como inúmeras reflexões escritas. Nesse sentido, pedia a vossa colaboração para que, não só divulgassem o blog junto de outros Peregrinos, como também, se assim o entendessem, participassem com os vossos textos e/ou fotos. Para evitar o spam, mais detalhes de como o fazer serão dados no próximo número do Passo a Passo e nas reuniões de dia 13.
(Eu já dei o exemplo, ao colocar uma primeira foto...)
Francisco Mota Ferreira

07 MAIO 08 - Igreja de Sacavém

©Francisco Mota Ferreira

A animação da partida...