Wednesday, July 1, 2009

COMPADECEU-SE DE TODA AQUELA GENTE

Pedaços de Vida – Ano B – nº 34

COMPADECEU-SE DE TODA AQUELA GENTE

(Mc 6,34)

O Evangelho deste Domingo apresenta matizes do Coração de Cristo muito belos, muito sensíveis. Ele é o Amor, ama com Coração verdadeiramente humano, é Amigo e vibra com a situação das pessoas.

Primeiro, preocupado com o cansaço e a labuta dos seus discípulos, convida-os a ir descansar um pouco e procura um lugar isolado para tentarem um merecido repouso. Aqueles homens seguiam-No, caminhavam muito a pé, nem sempre bem alimentados, com grande multidão que às vezes os incomodavam. Era urgente e necessário um bom descanso. E consola-nos que Jesus esteja atento a estes aspectos tão simples e tão humanos. Agora em tempo de verão e de férias parece que ainda apreciamos mais este gesto, este convite de Jesus: “Vinde e descansai um pouco”. O seu próprio Coração é repouso, é lugar de paz e de consolação, é lugar onde recuperar energias interiores e espirituais. É a fonte do amor, da alegria e da paz.

Jesus vai no barco para um lugar mais isolado da margem do Lago da Galileia. Mas a multidão, que O amava, que estava seduzida pelas suas palavras, que vibrava com o que Ele dizia e com os milagres que fazia, percebendo a “fuga”, foram de um lado e de outro, a pé, pela margem e chegaram ainda primeiro que Jesus e que os discípulos ao tal lugar mais isolado. E ao chegaram encontraram-se novamente rodeados por imensa gente. Jesus, com o Coração a vibrar, comoveu-Se, teve pena daquela imensa gente, e decide ensiná-los, explica-lhes mutas coisas. Podia tê-los mandado embora, podia não ter desembarcado e ir para outro lugar. Mas o seu Coração, sempre amigo e solícito, compadeceu-Se daquela multidão, pois eram como ovelhas sem pastor. Mas Ele, o Bom Pastor, sempre amigo, dedicado, que veio para dar a vida pelas suas ovelhas, que somos nós todos, tem compaixão, solicitude, amor por aquela gente. Não deixa de os ajudar, de lhes falar, de os atender, de os curar. E lá se foi o descanso dos seus discípulos e o seu próprio descanso. Mas Ele veio para dar a vida. Ele quer que todos tenham vida e a tenham em abundância.

No ano sacerdotal talvez seja bom fixar-nos neste Evangelho tirando lições para a vida e ministério dos sacerdotes e dos leigos que os ajudam e acompanham. Precisamos de aprender com Jesus, o Bom Pastor, o Único e Eterno Sacerdote, a saber dar a vida pelo povo de Deus, a entregar-nos sem reservas, a ser padres a tempo inteiro. Padres, sempre padres, no dom e na entrega ao rebanho, às ovelhas que andam cansadas e sem pastores. Precisamos de inventar modos de servir e de amar, maneiras concretas de nos darmos para que os outros tenham vida e vida em abundância. Que não falte ao rebanho a solicitude dos pastores. E como os leigos, sobretudo os mais comprometidos, têm que assumir também essa entrega, esse dom, essa generosidade, esse serviço dedicado sobretudo aos mais pobres, mais idosos, mais doentes, mais marginalizados, mais sós, que mais sofrem, que Têm menos formação, que precisam de aprender a seguir mais o Mestre e a ser generosos na entrega.

O Evangelho de hoje lança-nos numa perspectiva apostólica maravilhosa, com o coração em fogo, desejosos de fazer o bem e de cuidar das ovelhas sem pastor. Daqui nascerão muitas iniciativas, como nascerá o desejo de rezar mais e mais pelo rebanho do Senhor, pedindo o dom de bons e dedicados pastores, generosos, simples, serviçais, dedicados ao próximo com alma e coração, sem interesses pessoais, sem ganância económica, sem egoísmos que não os tornam servos dedicados do Povo de Deus.