Wednesday, July 1, 2009

OS APÓSTOLOS PARTIRAM E PREGARAM…

Pedaços de Vida – ano B – nº 33

OS APÓSTOLOS PARTIRAM E PREGARAM…

(Mc 6, 12)

Jesus chama os seus apóstolos, envia-os a pregar, dá-lhes instruções, e eles partem, pregam o arrependimento, expulsam demónios, ungem doentes com óleo e curam muitos desses doentes.

O chamamento de Jesus é dom e graça. Ser escolhido para ser enviado comporta um olhar do Mestre, uma opção de escolha, um envio. Hoje, cada baptizado tem o mesmo chamamento. Ser baptizado é ser apóstolo, enviado de Jesus, com uma missão concreta: ensinar, fazer discípulos, proclamar a Boa Nova. Em casa, na escola, na fábrica, no local de emprego, de descanso, de diversão, onde está um baptizado tem de estar sempre alguém que se sente apóstolo do Senhor, que quer com a sua palavra e seu testemunho anunciar Jesus, O Redentor, o Salvador, o Amigo. Como diria S. Paulo, oportuna e inoportunamente, falar d’Ele, dos seus mistérios, do seu amor, da sua vida, para que mais pessoas O amem e se deixem seduzir por Jesus. Todos os baptizados têm esta missão, somos todos chamados a esta evangelização. Não nos podemos calar, aburguesar, intimidar. Com audácia e desassombro falar do Senhor, do Reino, da Palavra que salva e liberta. E há tantos que não O conhecem, tantos que sendo baptizados não O seguem com determinação.

Como se torna urgente, como faziam os apóstolos e como fez Jesus, e antes d’Ele, João Baptista, pregar o arrependimento. Todos somos, como afirmou S. Paulo barro, mas trazemos em nós um tesouro. Por causa desse tesouro: Deus uno e trino, a sua graça, a sua vida, o seu amor, precisamos de arrependimento, de mudança de vida, de gostos, de critérios, de modos de ser, de mentalidade diferente. Precisamos de arrependimento da nossa conduta pouco cristã, pouco evangélica, demasiada mundana, tantas vezes pecaminosa. Precisamos de mudar, de uma verdadeira metanóia. Esta pregação, que já os profetas do Antigo Testamento faziam, é sempre actual. Quem é tão santo que não possa e deva ser mais? Quem ama tanto que não possa amar mais? Quem rezar tanto e tão bem que não possa rezar mais e melhor? Quem é tão justo, tão simples, tão humilde, que não possa e não deva crescer mais nessas dimensões? Mas para que este processo se realize o primeiro aspecto necessário é a convicção profunda que somos pecadores e necessitamos de arrependimento.

O texto fala na graça da cura que os Apóstolos pelo poder que Jesus lhes confiou, exerciam em favor de muitos doentes. Todos necessitamos desta cura. Todos somos doentes, pelo menos a nível espiritual. E se não temos o dom das curas, temos pelo menos a imensa e prodigiosa graça de participar no sacramento da Reconciliação que não só perdoa mas cura. E temos a graça da Eucaristia, em que Jesus vem a nós, fica em nós, para nos poder ir curando dos nossos pecados e doenças espirituais e corporais. Falta-nos fé para acreditar neste poder de cura que os sacramentos têm e que todos podemos usufruir. Fé mais viva no poder da graça que é medicinal. Santa Teresa de Ávila afirmava que muitas vezes, quando comungava até fisicamente se sentia melhor. E nós pedimos que a “comunhão sirva de protecção e remédio para a alma e para o corpo”. Acreditamos nisto? Aceitamos este desafio? Ajudemos os outros a aproximarem-se da fonte que cura, que é Jesus e o seu poder, a sua graça, a sua vida?

Precisamos de cristãos convictos e convincentes, que acreditam na Palavra de Deus, no poder da graça, no poder dos sacramentos que curam e libertam. Como o mundo precisa desta graça, deste dom, desta maravilhosa acção do amor divino.