Friday, October 2, 2009

XXIX Domingo do Tempo Comum

VEIO PARA SERVIR E DAR A VIDA


Jesus aproveita o pedido feito pela mãe dos filhos de Zebedeu, ou seja, por mãe de Tiago e João, que desejava para os filhos um lugar à direita e outro à esquerda, no Reino de Jesus, talvez para ela o reino deste mundo, com a expulsão dos romanos, não o Reino dos Céus, para dar uma catequese séria e oportuna acerca da humildade, do serviço, do dom da vida. Com Jesus e no seu Reino, os últimos são os primeiros, os grandes são os que servem os outros, a grandeza está na humildade. É este o caminho evangélico. Não pretender honras, elogios, vanglória, triunfalismo, mas ser modesto, simples, serviçal, despojado para poder ser mais humilde.

E para terminar o ensinamento Jesus apresenta o seu próprio exemplo, afirmando que o Filho do Homem não veio ao mundo para ser servido mas para servir e dar a vida em resgate por todos. Duas facetas maravilhosas da vida de Jesus, do seu amor, da sua maneira de Se comprometer connosco. A paixão pela humanidade leva-O a servir, a assumir ser servo, não só do Pai, como Servo de Iavé, mas servo dos homens. Sua existência terrena foi um constante serviço a todos: pecadores, doentes, frágeis, marginais da época, etc.

Talvez o símbolo máximo desse serviço tenha sido o lava-pés, quando na Ceia Se ajoelha e lava os pés aos seus discípulos, gesto de profunda humidade, de esvaziamento próprio, de serviço, que nem um escravo judeu fazia. E ao terminar esse gesto, no capítulo 13 de São João, Jesus afirma: “Chamais-Me Mestre e Senhor e dizeis bem, pois o sou. Mas se Eu vos lavei os pés também vós deveis fazer isso uns aos outros”. E termina o ensinamento do lava-pés dizendo: “Felizes sereis se o puserdes em prática”. Ou seja, a felicidade segundo o Evangelho, está no serviço, na atitude humilde de lavar os pés, de estar de joelhos para servir os outros, com coração generoso e simples, com atitude de verdadeira humildade. E é neste gesto que está a grandeza do cristão.

Mas Jesus, como ouvimos, afirma que veio para dar a vida em resgate por todos. Dirá noutra passagem que a maior prova de amor é dar a vida pelos amigos. E Ele vai dá-la no auge da dor e do amor, na morte da ignomínia, crucificado, feito pecado e maldito, feito verme da terra. Morte que é acto de acto, que vai resgatar a humanidade do pecado e do mal, que nos vai fazer homens e mulheres livres. A morte, como entrega até ao limite, foi a expressão máxima do amor. De facto só o amor salva, só o amor redime, só o amor liberta.

Servir e dar a vida pelos outros é o caminho proposto por Jesus. Quanto isto nos é difícil e nos custa a colocar em prática. Somos demasiado egoístas, comodistas, egocentristas, aburguesados, desejosos de honras, de triunfalismos, de vaidades, de busca do primeiro lugar, de soberba que nos impedem de servir, de sermos servos humildes, atentos e despejados. E como estamos demasiado apegados a nós próprios e a tudo o que é nosso, custa-nos dar a vida, custa-nos amar sem limites, custa-nos desprendermos para amar e servir. Mas o caminho apontado por Jesus é este. Só trilhando este caminho caminhamos na vida de santidade, na vivência coerente e audaciosa do Evangelho, e alcançaremos a graça da felicidade e da alegria que nos vem do serviço e do dom de nós próprios. Nenhum avarento, nenhum egoísta, nenhum ciumento, nenhum egocentrista, encontra a felicidade. Esta só se encontra no caminho oposto: servir e amar, morrendo a nós mesmos.