Friday, June 19, 2009

COMEÇOU A ENSINAR NA SINAGOGA

Pedaços de Vida - Ano B – nº 32

COMEÇOU A ENSINAR NA SINAGOGA

(Mc 6,2)

Como bom judeu, Jesus ia ao sábado, dia consagrado ao Senhor, dia de oração, à sinagoga e aproveitava para ensinar. Todos ficavam admirados da sua sabedoria e dos seus milagres. Perplexos pelos seus ensinamentos, cheios de espanto por tudo o que dizia e ensinava. Era a sabedoria divina a falar com palavras humanas, a comentar as Escrituras, a falar das verdades da fé, a anunciar o Reino, a deixar no coração de quem O ouvia sementes de vida nova, de renovada esperança, de novidades divinas que só Ele sabia e podia ensinar e comentar. Não admira que ficassem perplexos.

Temos, como Jesus, ser arautos da Boa Nova, ser profetas de um mundo novo, ser anunciadores do Reino, ser verdadeiros evangelizadores. Todo o baptizado tem esta digna a abençoada missão: anunciar o Evangelho de Deus, a Palavra que salva e que liberta. Começando pelos pais no seio da família, evangelizando-se um ao outro, até chegar ao coração dos filhos e dos amigos. Nas comunidades religiosas onde não abunda a evangelização cuidada e séria, que conduza à conversão. Nas paróquias, começando pelas homilias, que nem sempre são evangelizadoras, porque não se baseiam na Palavra comida, assimilada em oração. Sempre e em toda a parte homens e mulheres que, à semelhança de Jesus querem ser evangelizadores, verdadeiros profetas.

E temos hoje novos púlpitos, novas sinagogas, pois quer na rádio, quer na televisão, quer na internet, quer em tantos meios de comunicação, precisamos que a Palavra seja comunicada, passe para o coração dos ouvintes e leve à mudança de vida, de critérios, de gostos, de opções. Só a Palavra rezada e assumida nos pode levar a estimar e cuidar mais da vida, do amor, da justiça, da verdade, da dignidade humana. Ele, Jesus é que é o Mestre. Só ouvindo-O com respeito e silêncio, só deixando-se trabalhar pela sua palavra, seremos arautos da verdade e do bem.

Se a alma do mundo está doente, se tantos optam pelo prazer fútil, pela violência que mata, pelo aborto e pela eutanásia, pela depravação moral e sexual, se tantos andam no mundo da fraude, da droga, da manipulação e exploração de menores, se há tanta violência doméstica e tanta atentado à vida e ao amor, é porque não estamos evangelizados por dentro, não escutamos a Palavra, não a tomamos como alimento, não pautamos por ela a nossa vida.

Muitos, hoje, afirmam com frequência: “eu acho que”, tentando desculpas para o seu modo de escolher e proceder, fazendo a sua “teologia”, deixando-se conduzir por seus gostos e critérios e não se perguntam que “acha Jesus”, que diz e ensina a Palavra. Ela é dura e, por vezes acutilante, mas urge ouvi-la e colocá-la em prática. No mundo de hoje não é fácil ouvir Jesus dizer “não cobices a mulher do próximo”; “ama os teus inimigos”, “só a verdade vos libertará”. Não há fácil aceitar e assumir que a Igreja tem o poder que Jesus lhe confiou e que suas normas e leis são caminho de salvação e de santidade. Daí que não podemos dizer “eu acho que falar à Missa ao domingo não é pecado”; “eu acho que ter relações pré matrimoniais não é mal nenhum”; eu acho que fazer um aborto não é matar”, eu acho que… tanta falsa teoria para justificar o nosso mal e o nosso pecado. Não é o caminho verdadeiro, que conduz ao bem e à verdade.

É Jesus, é a Palavra, é a Igreja, Mãe e Mestra, que têm o poder de nos dizer o que devemos ao não fazer. É por aí que temos que formar a nossa consciência, que temos de aferir critérios, que temos de buscar orientações sérias para o nosso modo de ser e agir. Caso contrário vivemos numa selva sem lei verdadeira, sem norma, sem dignidade. Deixemos Jesus ensinar-nos, como fazia na sinagoga da sua terra.

Dário Pedroso Sj