Tuesday, June 2, 2009

"O amor não tem desculpas"

Há muitas maneiras de rezar. Há tempos de oração mais longos que exigirão maior preparação, que necessitam uma paragem das minhas actividades, que poderão mesmo exigir-me uma ida ao sacrário ou uma separação dos outros. Para este género de oração pode suceder que às vezes me sinta impedido por diversas circunstâncias. Mas aqui queremos referir-nos a outro tipo de oração: a elevação do pensamento a Deus, o centrar n’Ele o coração, o pensar no Senhor ao longo do dia, mesmo durante o trabalho, no meio das ocupações diárias, rodeado até por muita gente e por muito trabalho.

Se uma rapariga nos dissesse que durante o dia, porque tem muito que fazer, porque está muito ocupada, não tem tempo de pensar no namorado, nós rir-nos-íamos e achávamos que o amor dela era bem pequeno. Quando se ama não se pode deixar de pensar na pessoa amada.

Se uma mãe de família, porque tem muito trabalho, passasse o dia inteiro, ou toda a semana, sem pensar nos filhos e sem os ter presentes no coração, não diríamos que era aberrante tal atitude? O amor leva a pensar e a ter presente no coração a pessoa que se ama.

Quando nos morre uma pessoa que estimámos muito, a quem estávamos ligados por laços de grande amizade ou sobretudo por laços de sangue, durante muito tempo não nos sai da “mente” a sua pessoa, o tom da sua voz, etc., mesmo durante o nosso trabalho, as viagens para o emprego, no meio do barulho e agitação da vida.

Com certo género de oração deve ser o mesmo. Pensar em Deus durante o dia, elevar até Ele o coração, tê-Lo presente na amizade. Se não pensamos no Senhor é porque não O amamos, é porque Ele conta muito pouco na nossa vida, representa pouco na nossa existência quotidiana. Ao longo do dia, mesmo durante o trabalho, as viagens, etc., durante uns segundos, recolher-nos uns instantes, fechar os olhos por uns momentos e segredar-Lhe qualquer coisa no intimo do coração. É uma questão de hábito. É, sobretudo, um problema de amor.

Dário Pedroso sj