Wednesday, May 20, 2009

Passo a passo para Maria peregrinei a Fátima e com Maria atravessei o Tejo....


A calma, serenidade e paz, muita paz, continuam dentro de mim, após a semana que vivemos para Maria e com Maria e que este ano, inexplicavelmente, parece perdurar. O mundo real estava à minha espera, à espera de todos nós, mas Maria continua ao meu lado, minha amiga, a dar-me a mão, a dar sentido ao meu dia a dia, a desassossegar-me para caminhar a seu lado, a beliscar-me se me distraio, a cantar-me no silêncio para que a oiça e a pedir oração, mais oração. E é tão simples o seu falar, e parece que só agora a compreendi. E é esta maravilha que me fez crescer este ano, crescer para Maria e poder falar d’Ela com os que estão à minha volta. E este ano algo de novo aconteceu no meu mundo do trabalho: tive uma chamada do meu CoE (durante a caminhada) à qual não respondi e quando a devolvi pediu-me mil desculpas pela interrupção das férias pois não se lembrou do propósito das mesmas (é Dinamarquês, agnóstico, está há 1 ano em Portugal e o ano passado tive alguma dificuldade que aprovasse a minha ausência em Maio). Ainda hoje me perguntam “como foi tudo” e descobri pessoas maravilhosas com um respeito enorme pela Mãe e com quem passei a ter outro “tipo de conversas”….

Já reflecti bastante sobre esta “onda de paz” que vivo e sinto e penso que tem a ver com a minha preparação pessoal e com a crescente preparação da nossa “família do Estoril” que, se calhar sem me aperceber, foi-nos conduzindo ao longo do ano. Como disse o Padre António, cada peregrinação é A Peregrinação, e esta frase bateu forte cá dentro e foi mesmo assim!

Foi após a nossa reunião de “debriefing” no dia 13, em Fátima, que fui desafiada para acompanhar a Senhora na sua travessia no Tejo. Tinha acabado de me despedir d’Ela, depois da oração dos Servitas quando realizei que não era um Adeus mas sim um Até já…

E foram tantas as graças que recebi durante a nossa caminhada que receber mais este presente do céu encheu-me de uma enorme alegria.

Tinha visitas em casa nesse fim-de-semana, um casal de alemães, que vinham “turistar” e matar saudades de Portugal após muitos anos de ausência. Mesmo assim, fui “fazendo a cabeça deles” para o momento único que poderiam viver.

A partida da marina de Oeiras já foi cheia de emoção: o meu primo Carlos Ramos (avô da Marta que está a precisar do transplante de medula óssea…), eu e o Nuno, a minha mãe, a Mónica e o casal de alemães. Ao nosso lado também iam 2 barcos de amigos que conseguimos desafiar pois pouca gente sabia desta iniciativa.

Ao chegarmos perto da ribeira das naus avistamos a Sagres, toda engalanada com os marinheiros em posição de “às armas” em todos os mastros! E à espera da imagem estavam cerca de 150 barcos (nosso cálculo!)! Barquinhos de pescadores, barcos médios, 2 barcos a remos das escolas náuticas, cacilheiros cheios de gente, salva-vidas, etc…. Havia um yate que levava a cruz de Cristo içada e alguns barcos ouvia-se o terço cantado….até ouvi o Aleluia da Joana que vinha de um veleiro ao nosso lado! A espera foi difícil porque todos queríamos estar o mais perto possível do navio de guerra que A transportou e a polícia marítima esteve sempre a controlar o rumo dos barcos.

Assim que a imagem entrou no barco oficial e vimos que ia ficar no exterior com uma protecção de vidro foi espontâneo o buzinar de todos e o aceno com lenços brancos! O casal de alemães acenava com emoção e alegria, afinal era a Senhora de Fátima que ali estava a olhar também por eles….A romaria a Almada fez-se em silêncio e todos os barcos muito juntos a seguir a esteira da Senhora. Quando passámos pela Sagres houve uma paragem para as 10 salvas dos canhões….foi arrepiante! A chegada a Almada foi inexplicável! O porto e todas as ruas circundantes estavam repletas de pessoas que A queriam ver..não havia um espaço vazio pelas ruas íngremes. O andor em terra já estava pronto para A receber e os marujos fizeram o transporte do barco para terra.

A popa do barco que A transportou estava linda, os arranjos florais eram muito bonitos!

Fizemos o rio de volta ao pôr-do-sol, com o céu muito encoberto e o sol a espreitar pelas nuvens pretas! A Senhora tinha ficado em bom porto mas continuava connosco….até sempre!

Um forte e grande obrigada a TODOS!

Teresesa Mendes Ferreira