Sunday, May 24, 2009

Saber ser Feliz na Fé

Não sei se será apenas de mim, mas tenho a sensação de que, este ano, os seis dias passaram a voar. Felizmente, já só faltam 365…

Este ano, ao contrário dos anteriores, não tinha factores externos que pudessem influenciar o meu encontro anual mais aprofundado com Maria. Sentia que estava pronto.

Ou quase.

Sentia aquela ansiedade que nos assalta antes da partida, a animação de rever velhos amigos e tantas outras pessoas que, por vicissitudes várias, a vida apenas nos permite que, no melhor cenário, nos encontremos uma vez por mês.

(Re)descobri que, como todas as anteriores que tive o privilégio de fazer, esta foi também uma peregrinação diferente.

Diferente até, porque este ano, o clique tardou a surgir. Não que a Fé não nos acompanhe, não que a devoção a Maria, Nossa Mãe, não esteja presente. (E que melhor presente podemos ter de Nossa Senhora que não seja levar o Andor na Procissão das Velas??).

Mas sentia que faltava algo. Faltava algum sossego para a minha alma.

São José Maria Escrivá costumava dizer algo que quero partilhar com vocês:

“Mãe! Chama-a bem alto. Ela, a tua Mãe Santa Maria escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a Graça do Seu Filho, o consolo do Seu regaço, a ternura das Suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta”.

E foi o que tentei fazer ao longo destes dias. Confesso-vos que uns mais do que outros, com mais força nuns dias, mais coragem e mais Fé, e noutros, onde sentia que o rezar não é apenas o acto mecânico de chutar Avé Marias para o Céu. (A Tia Gena que me desculpe a usurpação da sua frase).

Mas sei que rezar aqui nestes caminhos é descobrir também o prazer de uma conversa, o partilhar das nossas alegrias e tristezas com quem temos o privilégio de caminhar ao nosso lado e sentir e saber que podemos chamá-lo de Amigo.

É a partilha de um momento, de um sorriso cúmplice, de uma piada até, que isto da beatice não tem que ser sempre tudo à séria e com um olhar pungido.

Como dizia o Padre António em Santarém, temos de ser felizes na nossa Fé e temos também a obrigação de a mostrar e de a partilhar com quem ainda não foi agraciado com esse maravilhoso dom de Deus.

E se Jesus, que foi Jesus, também precisou de crescer na Fé, como é que nós, simples seres mortais e pecadores, não temos também de o fazer?

Jesus Cristo foi feliz porque acreditou. Porque mesmo quando duvidou, no Horto das Oliveiras, aderiu à vontade do Pai.

Podia dizer-vos muito mais. Despeço-me com a sensação de saudade e deixo-vos, uma vez mais com S. José Maria Escrivá:

“Alguns passam pela vida como um túnel e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da Fé”.

E nós, que temos a Graça de a possuir, quando sairmos daqui, saberemos ter a coragem de a continuar a alimentar?

FRANCISCO MOTA FERREIRA

13 de Maio de 2009